sábado, novembro 14

Zumbis perdidos, fofuras e miolos…

 

No meio da rotina que vem se formando em nossas vidas (eu me ferrando na universidade e o Zé tentando se adaptar à vida corporativa em terras geladas), três coisas rolaram nas últimas semanas que merecem publicação.

Miolosssssss

A primeira foi uma roubada: dia 31 de outubro, Halloween. Ficamos doidos para participar da “Zombie Walk Montréal, evento em que as pessoas se vestem de zumbis e saem pela cidade.” Nos arrumamos todos, encontramos os amigos e… Cadê os zumbis? O que aconteceu foi que pegamos o mapa errado e perdemos o bonde. Vimos no máximo umas figuras bizarras pelas ruas (e estações de metrô). Destaque para o surfista prateado e a Mystique:

Visitantes ilustres

Pensem num cachorro fofo e gostoso. Pensem nele vestido de pijama. Esse é o Willy. Ele veio de Toronto com os pais, os bárbaros Jeanne e Pedro, passar uns dias (que passaram rápido demais pro nosso gosto) aqui com a gente em Montréal. Não saímos juntos porque não deu tempo, mas curtimos demais as visitas!

Mais miolos…

Fazia tempo que eu e Zé não fazíamos nada assim mais romântico, do tipo sairmos só os dois para passear. Obviamente que escolhemos como “momento a dois” uma visita à exposição “Body”, que coloca à mostra pedaços ou corpos inteiros dissecados e, trocando em miúdos (trocadilho infame), preservados graças a complexos procedimentos químicos.

O preço é de 20 dólares por adulto (estudante paga 15), mas super vale à pena. É uma exposição muito bonita e altamente instrutiva…

segunda-feira, outubro 26

Tá enrolado? Procura aqui ó!


Cópia autenticada, confecção de currículo, aula de francês enquanto a francisação não vem? Conferir o contrato obscuro do aluguel, descobrir onde se faz doação de roupa e alimento, fazer a declaração do imposto de renda? Muitas das respostas aos problemas típicos do imigrante podem ser oferecidas por organismos parceiros do Ministério de Integração e Comunidades Culturais.

Hoje, por exemplo, o Jornal Métro publicou uma matéria sobre o Cari St-Laurent e as atividades voltadas à integração do público imigrante feminino. Eu e o Zé tivemos uma experiência bacana com eles, na parte de ajuda na elaboração do currículo. Chegamos a participar de um atelier bem instrutivo sobre o mercado de trabalho. Entre vários outros serviços, eles fazem a copie conforme, algo como a nossa cópia autenticada. Se não me engano, para até 15 documentos a autenticação sai de graça. Mais que isso, é algo em torno de um ou dois dólares por cópia.

Chegamos também a ir na “Association latino-américaine et multiethnique de Côte-des-Neiges – ALAC”. Eles não têm site, mas o telefone é o 514-737-3642. Além de ajudar com currículos, eles têm cursos de francês. Para o pessoal com criança, praticamente todas essas entidades oferecem atividades, é preciso ligar e se informar. No site do ministério, existe uma lista completa dos partenaires. Dá para triar por idiomas disponíveis e endereços. A palavra de ordem é fuçar, fuçar e fuçar. E boa sorte!

terça-feira, outubro 20

Minha mais nova paixão canadense

 

Tudo bem que ele era escocês, mas boa parte da carreira dele foi construída aqui. Mas o fato é que um dos filmes de Norman McLaren (1914-1987) me emocionou de verdade.

Meu primeiro contato com ele foi quando visitamos a Cinémathèque Québécoise e projetaram o lindo de morrer Caprice en couleurs (Fantasia em cores). Pintado diretamente na película (não foi filmado, fotograficamente falando), podem crer, para esse filme de 1949, McLaren não usou computador (pergunta básica de todos pra quem o mostro). Segundo os críticos, esse é o melhor filme “sobre” o jazz, principalmente porque a textura imagem respeita a textura musical do som do trio Oscar Peterson.

Mas foi na aula de cinema de animação que fui, digamos, ligar o nome à pessoa. Além de Caprice en couleurs,o professor nos mostrou, entre outros, o super premiado (inclusive com a Palma de Ouro) Blinkity Blank. De 1955, McLaren, ao contrário de Caprice en Couleurs, não pintou a película (exceto em alguns elementos), e sim a gravou (a luz do projetor passa pelo traço gravado na película escura).

Agora, quem me tirou do salto foi o Pas de deux, de 1968. Lindo, lindo, lindo, lindo, o filme passou a ocupar um lugar na minha lista de coisas que amo. Apaixonado por dança, o que ele fez, trocando bem em miúdos, foi filmar uma coreografia (sob condições bem peculiares) e transformar a coisa em animação, recriando completamente o balé. Os efeitos obtidos por McLaren foram mil vezes copiados. O negócio é assistir pensando: esse cara foi quem inventou esse negócio! Lá pelo final, a fluidez da coisa sempre me faz chorar (tá, tá, eu sou fresca, eu sei)…

sábado, outubro 10

Na terra dos pés juntos

 

Domingo passado fui fazer um trabalho de fotografia (pra facul) no Cimitière Mont-Royal. O cemitério é de 1847 e por lá já ocorreram mais de 162 mil enterros. Fiquei torcendo para ter sorte de fotografar um fantasma (pô, essas coisas nunca acontecem comigo), mas não rolou.

E para dar um caráter mais informativo a esse post maravilhoso, fiz uma pesquisa básica sobre quanto custa morrer por aqui. Fiz a cotação para um serviço crematório porque, de minha parte, pretendo doar tudo o que seja possível aproveitar dos meus órgãos, e não quero ficar ocupando espaço. Segundo a Kane Fetterly, para ser cremado no caixão mais vagabundo, com a urna mais sem-vergonha, sem serviço nenhum, a cotação fica em (com impostos, claro) 2 808,59 $.

Para quem faz questão de cerimônia completa, decoração, café, etc, etc, a coisa pode chegar a algo em torno dos 10 mil dólares. As empresas de seguro, no entanto, oferecem modalidades de seguro-funeral. Vi algumas em que a mensalidade é de 2 dólares por mês.

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sábado, outubro 3

Só boa notícia

Sei que tô em débito com nosso amado público leitor. Faz tempo que não escrevo… Mas tem tanta coisa acontecendo que, caramba, tá difícil de administrar…

Bem, voltei a estudar. Não foi uma decisão fácil de tomar não. Eu poderia ter mudado de área e arrumado um trampo digno em escritório ou serviço ao público; mas para poder continuar fazendo o que eu amo (comunicação/arte), senti que ia precisar de um tempo maior de adaptação.

A história de meu período de exploração sobre o universo do jornalismo por aqui é meio longa e fica pra outro post. Vou pular direto pro processo de decisão sobre o quê estudar. Como já contei antes, as possibilidades de cursos e programas são muitas. Vamos às opções que eu considerei primeiro:

1) Fazer um doutorado: seria o mais óbvio, porque já tenho mestrado. Mas nesse momento da minha vida tô afim de algo mais prático;

2) Outro mestrado: mesmo problema que o doutorado;

3) Cursos DEC e AEC em Cégeps e Collèges: alguns cursos muito interessantes quase me convenceram. O Collège de Maisonneuve, por exemplo, tem um DEC intensivo em “Techniques d’intégration multimédia” que achei uma beleza. Um programa também bacana é o do John Abbot College, o “Web Technology Program”, esse financiado pelo Emploi-Québec.

Tava quase optando por um DEC quando me deparei com um apetitoso bacharelado em… CINEMA!!!! Sempre quis fazer cinema! Sonho de infância! Documentários são minha paixão… Não que eu não saiba fazer documentário, até aula disso já dei, mas sempre senti que me fazia falta uma leitura cinematográfica (e não jornalística) da coisa.

Me inscrevi na UdeM e passei. Tive de fazer o Test de Français International (eles não aceitaram o meu DELF como prova de conhecimento de francês) e fui bem (885 sobre 990 pontos no geral; 5 sobre 6 pontos em redação). Também consegui o Prêt & Bourse do governo, que é bem decente…

As aulas começaram em setembro e tô amando. A vida universitária, no entanto, é muito diferente do já vi. Mas isso também é assunto para outro post. Vamos ao que interessa…

O Zé conseguiu emprego, wohoo!!!!! Começa segunda-feira agora. Ele vai ser programador/administrador de base de dados de uma empresa aqui. Estamos muito felizes porque ele conseguiu algo na área e vai ter a oportunidade de crescer muito profissionalmente. Ele só tá meio choraminguento porque vai ter de trabalhar de terno (ou vestido de príncipe, como diz a pequena Haruê, nossa vizinha), e ele é chegado mesmo é numa camiseta de temática zumbi… Mas sempre há a sexta-feira do jeans :)

E eu, claro, vou poder fazer minha facul mais tranquila…

sábado, setembro 19

Xingando em francês québecois

 

Boca suja ou não, sempre é bom saber quais são as palavras e expressões ofensivas em um idioma diferente. Você pode até não desejar a intenção de ofender ninguém, mas com certeza vai querer saber se estão te chamando de imbecil ou coisa pior por aí.

As ofensas no Québec são a coisa mais bizarra do mundo, soando estranhas até para ouvidos ateus como os nossos. Por exemplo, Cristo e Virgem são termos sacros nas culturas cristãs, certo? Aqui, se transformam em palavras muito feias para se dizer entre pessoas educadas, assim como outros termos oriundos da ritualística católica.

Ontem peguei na biblioteca um dicionário intitulado “Parlez-vous Québécois?”, de Claire Armange (D’Orbestier, 2007). Fui direto nestes verbetes mais interessantes, e compartilho aqui as definições científicas da coisa:

Crisse (Cristo, em português):

(religieux Christ) juron religieux, blasphème. Crisse de bâtard, d’épais, de chien sale, etc. “Touche pas à ça mon crisse!” “Vite crisse on va manquer le début du film” “C’était crissement poche comme film” (c'était nul ce film). Le sacre québécois étant à multiples facettes, il peut aussi se faire amplificateur de compliment: “T’es belle en crisse” (c’que t’es belle!). Se mettre en crisse: se fâcher, se mettre en colère. Oreilles de crisse: grillades de lard salé, plat typique de la cabane à sucre. Graphie plus rare: oreilles de Christ. Un p’tit crisse: personne dont il faut se méfier, qui n’est pas fiable, qui fait ses coups par en dessous, pas franc, qui trompe son monde. Proverbe: “mieux vaut être un bon yâb qu’un p’tit crisse” (mieux vaut être un bon diable qu’un petit hypocrite”.

Crisser (também Cristo, só que usado como verbo):

(religieux Christ) juron utilisé en verbe. Exprime généralement une certaine violence, comme quand un Français dit “fous-moi la paix” plutôt que “laisse-moi tranquille”. “Crisse ça là” (fous ça là). “Y m’a crissé dans a bouette” (il m’a poussé dans la boue). “A m’a crissé là” (elle m’a quitté). “J’ai envie de toute crisser ça là” (j’ai envie de tout planter là). “Quessé tu crisses?” (qu’est-ce que tu fous?). S’en crisser: s’en foutre. “Je m’en crisses-tu de c’qu’eux z’aut’pensent!” (je m’en fous de ce que pensent les outres). Crisser dehors: congédier vertement, foutre à la porte.

Viarge! (Virgem, em português):

(religieux vierge) juron, blasphème. “Voyons, bout de viarge, vas-tu finir pour accoucher qu’on baptise?” (alor, bon dieu, vas-tu finir par dire ce que tu as à dire?). “Awèye viarge de bon yeu, dépêche-toé!” (allez bon sang de bon dieu, dépêche-toi!).

Hostie, ostie (significa hóstia, e é um jeito muito comum de praguejar):

(religieux hostie) juron, blasphème. Sans doute le sacre le plus utilisé. “Hostie qu’il fait chaud” “C’est lourd en estie” “Une astie de grosse araignée sale!”

Câlisse (cálice onde vai a hóstia; usado mesmo pra ofender feio):

(religieux calice) juron, blasphème. Sans doute le sacre le plus utilisé après hostie. “Je m’en câlisse ben gros” (je m’en fous complètement) “J’ai reçu une câlisse de roche dans a face” (j’ai reçu un putain de caillou dans la figure). Câlisser: Foutre. “J’va t’en câlisser une” (je vais t’en foutre une, sous-entendu râclée, claque ou poing dans la figure). Quand un Québécois parle de vous câlisser quelque chose, il est vraiment temps de déguerpir!

Tabarnak (tabernáculo, onde vai o cálice com a hóstia; o mais feio e ofensivo de todos os xingamentos)

(religieux tabernacle) (très très grossier) juron, blasphème. “Aweye mon tabarnak, viens icite crisse de bâtard, mâ t’sacrer dans l’banc d’neige” (allez enculé amène-toi sale bâtard, je vais te foutre dans une congère!) Sans doute le sacre le plus important et le plus apprécié, de par sa sonorité qui claque et permet un soulagement de la colère efficace. Il semblerait qu’on le réserve pour les grands occasions, les vraies rages, en ultime défouloir. Si, avec la plus grande inconscience, il vous prenait de vous y essayer sur un Québécois, choisissez-le petit et chétif. “On s’en tabarnak” (on s’en fout).

A melhor ilustração de como o québécois usa esses termos está no filme Bon cop bad cop, especialmente nessa cena aqui:

domingo, setembro 13

Québec, QC

Agora entendo o porquê de tanta gente optar por viver em Ville de Québec, ou Quebec City para os anglófonos. A cidade é pra lá de encantadora…

Só para ficar mais fácil de entender: sim, nós moramos no Québec, mas na província do Québec, na cidade de Montréal. Ville de Québec é uma cidade da província de Québec, daí é como Rio de Janeiro, RJ: Québec, QC.

Estivemos lá ontem, com os amigos Flávio e Márcia. Que lugar lindo! A cidade é cheia de história, fundada em 1608 (é uma das mais antigas da América do Norte) e, principalmente, é super bem conservada. Um lugar cheio de “cantinhos”, para onde quer que a gente olhe tem algo bonito para fotografar. Em 1985, Québec foi declarada Patrimônio Histórico pela Unesco.

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Todas as fotos podem ser vistas aqui.

terça-feira, setembro 1

Vai ao ginecologista? Boa sorte…

 

chá de ca[1]..

 

Foram três horas de espera, isso depois de ter esperado desde abril (quando marquei o rendez-vous) pra ser atendida por um ginecologista.

A consulta foi conseguida via encaminhamento do nosso médico de família (da Clínica Zina-Santé, que ainda está aberta para novos pacientes). Na época, expliquei pra ele que tinha passado por um procedimento de cauterização em dezembro, ainda no Brasil e que, conforme recomendação de meu médico, precisava de follow-up.

(Observação: quando há algum histórico mais ou menos importante, vale a pena pedir ao médico, ainda no Brasil, que ele redija um report do que foi o problema e quais os procedimentos seguidos; o meu médico de família aqui pediu e foi minha mãe quem teve de ir atrás).

Muito bem, depois de ouvir mil histórias locais de horror (e cinco meses depois), lá fui eu ao consultório do ginecologista. Antes de ir, claro, tentei dar aquela ligada básica pra saber se o rendez-vous estava confirmado. Só consegui ouvir a voz da secretária eletrônica que, gentilmente, me informava: “se for uma urgência, dirija-se ao hospital”. Simpático, não é mesmo?

Lá chegando, descobri que estava no lugar errado. E a culpa nem era de meu analfabetismo em francês, viu? O endereço estava errado na guia de encaminhamento. Mas era pertinho, pas de problème

Uma vez no balcão da recepcionista, já senti o drama. Uma senhora estava tendo um surto psicótico pelo atraso de três horas no atendimento. Falei pra moça que, se ela achasse melhor, eu poderia remarcar pra outro dia, já que minha consulta não era pra nada muito urgente. “Hoje ou depois, tanto faz, é sempre assim. Daqui a duas horas a senhora será atendida”, respondeu a criatura. Isso foi às 16 horas.

Saquei meu livro da bolsa e, às 19h, fui chamada pro consultório. Fiquei lá dentro 10 minutos. Não fui pesada, medida, não teve questionário algum. Talvez seja porque meu prontuário iria ser encaminhado pro médico de família, não sei.

E na hora da verdade… Não rola vinho nem jantar à luz de velas… A gente tira a roupa (parte de baixo só, porque eles não examinam os seios e nem mencionam o assunto) na frente do médico mesmo, sem banheiro, aventalzinho azul nem nada. Como eu já tinha sido alertada por uma amiga sobre o sistema trash aplicado aqui, fui de saia. Aliás, como não tem nem paninho pra pôr no colo, a quem precisar ir ao gineco de calça comprida, recomendo levar uma echarpe, uma camiseta, qualquer coisa, pra não ter de ficar olhando a cara do médico enquanto ele, digamos, olha lá dentro de você.

Depois da boa notícia de que meu colo uterino está lindo, perguntei sobre o resultado do papanicolau. O médico (que, verdade seja dita, ao menos foi bastante delicado) respondeu que em um mês (!) o exame ficaria pronto e, se houvesse algum problema, ele entraria em contato, ou seja, no news, good news.

segunda-feira, agosto 24

Encontro Mídia Cidadã (e a obrigação de comer pizza)

 

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Causos do passado: quando estava fazendo jornalismo (acho que foi nessa época), fizemos uma vaquinha pra comprar um presente de casamento pra uma colega nossa. Daí, na loja de presentes, ficamos na dúvida se comprávamos ou não um conjunto de pratos bem bonitinho, escrito Pizza do lado de dentro (daí você vê a enorme quantia de dinheiro recolhido). Quem convenceu todo mundo foi um dos colegas que, extremamente filosófico, refletiu: “Mas isso dá uma obrigação de comer pizza"!

Conto isso porque tava olhando a programação do evento que acontece depois de amanhã, quarta-feira, 26 de agosto, o Rendez-vous des médias citoyens (que promete ser bem bacana) e vi que eles anunciam assim a pausa do café: “Pause et réseautage”. Réseautage significando a construção de redes sociais, ou networking.

Não sei, mas isso me incomoda um pouco… Tipo… Dá uma obrigação de conhecer pessoas! E isso sempre foi, pelo menos na minha humilde opinião, uma coisa tããããão natural em coffee breaks… Bem, a explicação do Zé é que aqui as coisas têm de ser bem determinadas, enquadradas (cada um no seu quadrado?), com hora de dar tchau e tudo mais…

Enfim, minhas frescuras à parte, o evento é gratuito, com vagas limitadas (mas ainda tem). E me parece que vai ter bastante gente interessante por lá.

domingo, agosto 23

Lendas do Québec – parte I

Peguei um livro super bacana na biblioteca, o “Légendes du Québec: un héritage culturel”, de Jean-Claude Dupont, Les Éditions GID, 2008.

Adoro lendas e mitos, e achei que ia ser legal compartilhar algumas dessas histórias. Mas vou por partes, conforme sigo com a leitura, ok?

Ah, e a tradução é completamente livre.


A mais famosa de todas: a lenda da Chasse-Galérie


No meio da floresta, na noite de natal, com a cabana coberta de neve, um bando de caçadores– que ali estavam havia vários meses – embriagados com rum, resolvem fazer um pacto com o diabo em troca de uma rápida visita à cidade e, principalmente, suas mulheres. No negócio, eles só perdem a alma se pronunciarem o nome de Deus ou se tocarem em um crucifixo.

Eles colocam a canoa em cima de um monte de neve e chamam o capeta, com as seguinte palavras:

“Satan, roi de l’enfer, nous promettons de te vendre nos âmes si d’ici six heures du matin nous prononçons le nom de Dieu, ton maître et le nôtre, ou si nous touchons une croix. À cette condition tu vas nous porter, à travers l’espace, où nous voudrons aller et tu nous ramèneras sains et saufs ici. Acabris, Acabras, Acabrum! Fais-nous voyager par-dessus les montagnes!”

E eis que a canoa levanta vôo! Eles vão, festam, bebem, se acabam. Na volta, um deles (aqueles tipinhos que bebem e viram macho pra dedéu) começa a praguejar contra tudo e contra todos. Até começar a blasfemar contra Deus. Aí, a canoa despenca, todos morrem e têm suas almas carregadas para o inferno, onde vão queimar por toda eternidade…

(Adaptação básica do mito: seria legal se isso acontecesse com todo caçador %&*#$%, praticante de rodeio, apostador de rinha e coisas cretinas afins)

O fantasma do campo de trigo (Le fantôme du champ de blé)

Em meados do século 19, houve um tempo de muita pobreza, as batatas não vingavam e não se conseguia vender o trigo. Magloire era o herdeiro de uma terra que a família vinha cultivando fazia gerações. Mas, por causa da crise, Mag resolveu ir trabalhar nos EUA pra juntar um dinheiro e depois voltar e salvar a plantação de seus ancestrais.

Um dia, o fazendeiro vizinho recebeu uma carta de Magloire, dizendo que não voltaria mais dos Estados Unidos e oferecendo as suas terras por um bom preço. Pensando em ali estabelecer os filhos, o vizinho, québécois de fé, comprou as terras.

No dia da primeira colheita, os rapazes testemunharam algo assombroso: o aparecimento, em pleno campo de trigo, do velho François, avô de Magloire. Ele parecia apreciar o campo que cultivara com tanto amor e que fora abandonado pela descendência traidora.

E até hoje, quando é época de colheita, ao menos uma missa é cantada pelo repouso da alma do velho François…

sexta-feira, agosto 21

Estudar no Québec


Quem tá considerando a idéia de voltar pra escola quando chegar aqui vai ter como maior problema o excesso de opções. Tem curso de tudo que se possa imaginar.

Aqui está um quadro do sistema educacional no Québec. Vou dar uma pincelada no que rola, mais ou menos, depois do estudo secundário.

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Depois do segundo grau, a moçada aqui vai ou pro Cégep (Collège d'enseignement général et professionnel) ou pra universidade. Ou pros dois. Até o cégep, o ensino é gratuito. Na universidade é preciso pagar.

O ensino universitário é fácil de entender: primeiro ciclo é o bacharelado, segundo ciclo é o mestrado; e terceiro ciclo é o doutorado. As universidades também oferecem uns cursos que chamam de certificat, mineure e majeure. Ainda não descobri o que são exatamente.

Nos cégeps, a coisa fica mais enrolada. Mas, por sorte, na francisação do Zé, uma senhora que é conselheira pedagógica da Université de Montréal foi explicar direitinho a coisa. Vamos aos principais diplomas que são possíveis de se obter nessas instituições:

· DEC (diplôme d’études collégiales) de formation générale (pré-universitaire) – curso tem duração de dois anos e dá acesso aos estudos universitários de primeiro ciclo;

· DEC de formation professionnelle – curso mais técnico, dura três anos e dá acesso direto ao mercado de trabalho ou, se o estudante desejar, ao primeiro ciclo universitário.

Para verificar as datas de inscrição nesses cursos, que acontecem em até três etapas (ou três ciclos, como preferem dizer aqui), é preciso visitar o site do SRAM (Service Régional d'Admission du Montréal Métropolitain).

Para adultos, a formation continue

Existem formações especialmente desenhadas para adultos, ou seja, um público que já estudou antes, já tem o DEC générale ou equivalente, mas quer voltar pra escola. E é aqui que imigrante fica doido. São uns cursos de dar água na boca, que são oferecidos ou pelos Cégeps (o que, nesse caso, não significa mais gratuidade) ou então por instituições privadas.

O carro-chefe da formação adulta é o AEC (attestation d’études collegiales), que tem duração variável (dependendo dele ser oferecido em tempo parcial ou tempo completo) e oferece uma grade bem específica mesmo, totalmente voltada para o mercado de trabalho.

Outra opção interessante na formação contínua é o DEC intensif, que é como o primeiro DEC, só que com uma grade mais objetiva e que leva em torno de 16 meses para ser completo.

Uma outra história: o DEP (Diplôme d’Études Professionnelles)

Com o DEP, você pode se tornar plombier (encanador) e ganhar muita grana. Também dá pra se tornar cabeleireiro, esteticista, técnico de usina, assistente de dentista, mecânico de automóveis, etc., etc. e também ficar numa boa. Uma lista completa com todos os cursos (não são gratuitos, mas são geralmente bem em conta, e oferecidos em período noturno, daí dá pra trabalhar enquanto estuda), você encontra no site da Commission Scolaire de Montréal.

Onde encontrar os cursos e como pagar (ou não)

Muito cégeps oferecem cursos inteiramente financiados pelo Emplois-Québec, como esse exemplo aqui. Se você se interessou por uma formação dessas, terá de ir obter a benção de um conselheiro em emprego. Como contei em post anterior, isso pode ser uma aventura das mais desagradáveis.

Os cursos pagos e sem Emplois-Québec pra dar aquela ajuda, podem ser financiados pelo programa de Prêt & Bourse do Québec, seja DEP, AEC, DEC, ou estudo universitário de qualquer ciclo. Inclusive, no final do formulário de solicitação do P&B, consta uma lista (quase) completa de todas as instituições e programas de estudos devidamente credenciados junto ao Ministério da Educação. Acesse aqui o documento e vá até a página 29 do pdf.

Quem se interessar por cursos oferecidos por instituições privadas (exceto universidades) deve verificar qual o tipo de ajuda que pode receber. Explicando: prêt é empréstimo, e deve ser pago depois de terminados os estudos; bourse é presentinho do governo, pra ajudar a sobreviver, e não precisa ser pago depois. O que acontece é que, estudando em escolas privadas subsidiadas, dá pra pegar prêt e bourse; nas outras, só o prêt e olhe lá. Por incrível que pareça, a melhor lista diferenciando os dois tipos que consegui encontrar está na Wikipédia.

Outra observação importante: as universidades geralmente têm suas próprias formas de avaliar o histórico escolar do candidato. Para o ensino regular nos Cégeps, também dá pra solicitar a avaliação pela equipe do SRAM. Nesses dois casos, só a tradução juramentada dos diplomas e históricos já resolve (apesar de que é preciso pagar por cada uma dessas avaliações separadamente). Já para os cursos de formação contínua, normalmente é solicitado que seja apresentada a avaliação comparativa de estudos que, não custa lembrar, demora um tempão para ficar pronta.

Inicia-te na cabala da educação

A impressão que tenho aqui é que a cada lugar aonde vou há mais e mais informações praticamente secretas. Então, primeira lição da mestre Claudia: não acredite em nada do que escrevi aqui, pois está ou potencialmente errado ou cheio de lacunas.

Se, como eu, você não é iniciado, siga o conselho de um amigo nosso e pegue sempre a mesma informação pelo menos três vezes. Elas sempre vão variar (se não se opuserem), e daí faça a média e tire suas próprias conclusões.

Pense no que pode dar errado e pergunte. Exemplo: tava me informando sobre o meu prêt & bourse que fora recentemente liberado e, do nada, me veio a idéia de perguntar se podia ser conta conjunta pra receber a grana do governo. Óbvio que não pode, cara-pálida. Mas isso tava escrito em algum lugar? Não que eu tenha visto...

Outro conselho: quando for pegar informação, leve impresso o que você viu na internet. As chances são grandes do funcionário que te atender, mesmo sendo da mesma instituição, nada saiba da existência do assunto a ser tratado. Principalmente se for do Emplois-Québec.

E o que vou estudar?

Isso é assunto pra outro post... Ou acharam que eu ia contar tudo assim de uma vez?

segunda-feira, agosto 17

Primeira saída de Montréal


Desde que chegamos, seis meses atrás, não tínhamos saído nenhuma vez de Montréal. No sábado passado, sob o inacreditável calor escaldante que anda fazendo por estas paragens, fomos com os amigos Márcia e Flávio dar uma volta pelas cidades aqui próximas de Magog e Sherbrooke.

Magog é uma cidade pequena, com pouco mais de 24 mil habitantes, e turística. No inverno, é destino pra quem gosta de ski. No verão também dá pra subir a montanha (não sei se é montanha ou monte) de teleférico e curtir a paisagem.

Já Sherbrooke tem universidade e usina hidrelétrica. Também tem uns prédios antigos lindos, mas dos quais mal dá pra tirar foto, com tanta fiação feia estendida em frente. Ah, e tem esse painel muito simpático onde dá pra tirar fotos fazendo palhaçada…

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Nem só de neve vive o Québec…

Eu não queria acreditar quando me contaram, mas faz um calor infernal aqui nessa terra. Mas demos sorte: os vizinhos deram a dica e o Zé foi num garage sale que tava rolando no domingo e comprou um ar condicionado pra gente. Pagou 50 dólares por um aparelho de 8.000 BTUs.

A instalação do ar é uma piada. Sabe aqueles buracos na parede que a gente tem em tudo quanto é apê e casa no Brasil? Aqui não tem não, pelo menos não vimos (pode ser que em bairros mais chiques até tenha, não sabemos).

Como fizemos? Imitamos a vizinhança: encaixamos o aparelho na janela e tapamos o resto do buraco com uma placa de acrílico mais papelão. A cortina, do lado de dentro, ganhou pregadores de roupa pra continuar tapando a luminosidade sem incomodar o (maravilhoso) ar frio. Fica bem com cara de cortiço mesmo, mas calor pra dormir não passamos mais…

quinta-feira, agosto 13

Eu queria uma camiseta escrita Wander Wildner!


Sábado passado (dia 8 de agosto), a cidade onde morávamos, Campo Grande (carinhosamente conhecida como Big Field) foi palco de algo insólito. Algo tão atípico que fez com que, aqui de Montréal, eu e Zé praticamente cortássemos os pulsos de inveja.

Wander Wildner esteve por lá apresentando as músicas do disco novo e os grandes sucessos da carreira. Se você nunca ouviu falar dele é porque, além de não-gaúcho, também foi vítima da ridícula indústria fonográfica brasileira que não dá muito espaço pra coisa boa. Eu mesma só fui conhecer o cara quando casei com o Zé, e virei fã. Aposto que o Leopoldo também gosta, mas isso não tenho como afirmar com certeza.

Só pra ilustrar, taí um clipe do poeta:

Show de Wander Wildner em Big Field soa estranho aos nossos ouvidos porque, bem, tal como o nome, a cidade é um campo beeeeeem grande, com bastante boi, vaca, cavalo… Nada contra, vivi lá muitos anos, mas a cena musical na região é meio que dominada pelo sertanejo comercial, com pitadas de axé e pagodinho, gêneros que detesto profundamente com todas as minhas forças.

A coisa tá mudando, pelo jeito. Wander Wildner em Big Field é um sinal bem radiante de que o esforço da galera rock n’roll tá valendo a pena. Um desses heróis é o amigo Rodrigo Faleiros, músico da banda Jennifer Magnética, que teve a honra de tocar com o homem.

Enchi muito o saco dele pedindo que pegasse um autógrafo de Wildner pra nós. E não é que o inspirado teve idéia melhor???? Veja só:



(Se o vídeo não aparecer, siga esse link)

Queria ter fotografado a cara de pasmo do Zé. Rodrigo, obrigada!!!

Wander Wildner, você é um dos melhores músicos que o Brasil já produziu!!

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Conteúdo add em 16 de agosto:

Taí um pouquinho da apresentação em Campo Grande, no Bar 21:



terça-feira, agosto 11

Mais um susto com o Poldão

 

É minha gente, o prejú desse vez foi de 371 dólares…

Leopoldo teve uma reação alérgica feroz, coisa que vinha escalando fazia um tempo. Daí no sábado, durante o passeio, ele deu sinal de dor mais forte. À noite, já não conseguia encostar direito nele. Como o bichinho não tinha nenhum outro sintoma mais grave (urina e cocô ok, comendo bem, sem febre), prefirimos ficar observando no domingo (até porque o hospital veterinário 24 horas, o DMV, é caríssimo, conforme pudemos conferir em outra ocasião).

Na segunda, depois de mal ter dormido, consegui horário pro final da tarde no veterinário. De táxi (7 dólares), fomos até lá. Perda de tempo. O cara mal olhou o bicho, não me deixava falar, e me disse que era pra voltar no quarta-feira e deixar o bicho lá, porque já era tarde pra fazer os exames necessários e porque no dia seguinte, terça, não tinha tempo. E que se ele piorasse era pra ir pro tal DMV, me avisando que lá é tudo mais caro. Ah, e ele ainda me mandou continuar dando o ‘remédio laranja’ pra ele, sendo que o cara nem olhou o que era. E era dipirona, remédio que, descobri depois, é banido por aqui.

Voltamos indignados pra casa. Puxa vida… Será que iríamos acabar tendo de gastar três vezes mais o preço justo do atendimento?

De noite, nem dormi, chorando com o cachorro, que gania desesperadamente só de encostar nele.

Hoje resolvi tentar outro lugar. E nossa, que sorte!

Fui parar num lugar chamado Clinique Vétérinaire Metropolitaine (7375, Mountain Sights. Fone 514-731-9442), perto da Station Namur. Atenderam o Leopoldo imediatamente, com uma atenção e cuidado que me lembraram dos médicos veterinarios maravilhosos que ele tinha no Brasil. O médico se chama Kamel Cherradi, imigrante. Na parede do consultório, o diploma em russo, o doutorado na Université de Montréal e a autorização da Ordem dos Veterinários do Québec. Fez os exames necessários ali mesmo e na hora; e explicou detalhadamente o raio-x e o exame de sangue. Uma consulta de mais de meia hora. Recomendo mesmo.

Resumo da ópera, Leopoldo teve uma forte reação alérgica alimentar, que resultou em muitas perebas e uma super irritação do trato gastro-intestinal, que ficou cheio de ar. Gases estes, aliás, que estão sendo liberados enquanto vos escrevo, queridos leitores…

Detalhes da conta:

  • consulta: 42.00
  • x-ray: 79.00
  • exame de sangue completo: 120.00
  • remedinhos pra tomar durante o jejum de 3 dias: 34.16
  • shampoo de cortizona: 47.62
  • ração molhada pra depois do jejum Prescription Diet d/d: 6.00 (2 latas por enquanto, porque vou deixar o Leopoldo escolher o sabor favorito dele :P)
  • impostos: 16.44 TPS / 25.89 TVQ

Daí teremos também de comprar a ração nova dele. Saquem o drama: sacão de 30 libras sai a 96.35 dólares…

Êta cachorro fresco… Fresco mas fofo…

domingo, agosto 9

Batismo do Leopoldo no St-Laurent

 

Hoje foi dia de piquenique, com os amigos Will e Eduardo. Um parque lindo esse onde fomos: Parc de la Promenade Bellerive. Muito verde, muita água, e umas “prainhas” que dão direto no Saint-Laurent, o rio onde “mora” a ilha Montréal. Depois do banho, podemos dizer que Leóps virou québécois…

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