sexta-feira, fevereiro 6

Semana 2: com lenço e com documento

Essa segunda semana foi tão recheada de acontecimentos que passou rápido demais (mas oficialmente a semana vence só na terça)!

A primeira e mais importante delas foi que fizemos bons amigos… Na verdade, essa amizade começou lá no avião, qdo íamos chegando… Foi assim: na fila do check-in, lá estava esse sujeito que puxou conversa (ou foi o Zé que puxou conversa, não lembro, eu tava paparicando o Poldão na caixinha). Era o Roberto. Qdo soube o que estávamos fazendo, desandou a falar mal do Québec (apesar de viver aqui desde os anos 70). Depois avisou: “quero só preparar vcs pro pior, que é pra vcs curtirem bem qdo vier o melhor” (ou algo assim)…

No vôo pra Toronto, ficou conversando com a gente um pouco e logo voltou pro assento dele. Feita a imigração e tal, ao aguardarmos a conexão pra Montréal, lá estava ele. Nem vimos o tempo passar, de tão boa a prosa. Daí a surpresa: no vôo, ele se sentaria ao nosso lado. Ah, aí a coisa descambou, vimos fotos, rimos um monte. Chegamos em Montréal com o telefone dele: estava de mudança pra Toronto com a esposa e teria algum tempo livre pra nos ajudar com alguma coisa, dar uma volta e tals. Tb, se quiséssemos, poderíamos ir conferir o apartamento onde estava morando.

Alguns dias se passaram e ligamos. Fomos ver o apê e curtimos à beça: grande e em conta. No mesmo dia, ele e a esposa, a Flávia, nos levaram pra dar uma conferida em alguns pontos bacanas de Montréal. Voilá!

A reunião sobre a nossa imigração

Mudando de assunto para as coisas mais oficiais e burocráticas da vida, aconteceu essa semana nossa reunião com o agente de imigração do Québec, a qual achamos bastante proveitosa… Mas antes, vou contar a epopéia que foi encontrar este homem…

Marcamos a reunião por telefone (514 8649191). Devido à proximidade com nossa residência no momento, a senhora com quem falamos fez o agendamento para o bureau que fica na Maisonneuve Est. Ela, toda gentil, explicou que nem precisaríamos ir para o exterior, porque ficava coladinho à estação de metrô. O horário seria às 8h45.

Pois bem, era 8h30 e já estávamos lá. Daí o cara da recepção nos deu a boa notícia: “esse prédio, a partir de hoje, é só pra curso de francês; o bureau que vc procuram está em novo endereço, perto da Station Place-des-Arts”. Avisei que chegaríamos atrasados e o sujeito: “ nah, isso não dá nada”. Pronto. Começamos a nos sentir no Brasil…

Fomos, putos, pro outro bureau. Entramos, os patetinhas, na sala errada. Era do lado. Ok. Agora vai. Vai? Vai nada! O cara no balcão vira pra mim: “mas não tem nada marcado pra senhora aqui, madame”… Como assim, por exemplo? Ele confere no ordi (ordi=ordinateur=computador) e me conta: “Sua reunião não é aqui. Desde o início foi marcado pra outro bureau, o que fica perto da Station Crémazie. A senhora pode ir, mas nesse horário acho que não serão mais atendidos hoje, pq vão uns bons 45 minutos até lá”. Serviço público é tudo igual, me pareceu (antes de me xingarem, eu fui funcionária pública tb no Brasil). Que ódio.

Lá fomos pra tal Crémazie que fica longe pra dedéu (do nosso ponto de partida). O Zé bufava. Chegamos super tarde. Contei a triste história e a mulher exclamou que isso era muito bizarro. Sentamos uns 2 minutos e já nos chamaram. Acompanhamos um rapaz até sua cabine. Começava a reunião…

“Brasileiro normalmente se sai bem!” - foi com essa frase que o nosso agente, o Frédéric, começou a “Session Première Démarches d’Installation” (Primeira Sessão de Providencias de Instalação) que durou quase duas horas e compensou o sufoco que foi encontrar o lugar…

Ao longo da conversa, várias vezes ele nos parabenizava por já termos resolvido ou começado a resolver vários dos tópicos abordados. A maior parte delas já pode ser estudada bem antecipadamente na publicação “Apprendre le Québec”, e/ou estão disponíveis on-line nas várias páginas do governo.

Frédéric, depois das rápidas apresentações, pediu desculpas por estar falando rápido mas disse que é normal pq ele ficou contente com o fato de já falarmos o francês. Daí expliquei que o Zé não fala francês muito bem e ele, muito simpático, disse que falaria mais devagar, que qualquer coisa era só avisar. Mas já avisou tb que o nível do Zé estava muito melhor que de muito imigrante que chega até ele. Eu digo sempre pro Zé que o francês dele tá melhorando bastante (leiam o post sobre a nossa entrevista pro CSQ e o famoso niveau zéro para uma melhor perspectiva :) mas ele não acredita.

Daí ele apresentou as duas opções de Francisation a que teríamos direito: o de tempo parcial (sem bolsa) e o de tempo completo (com bolsa do governo). O Zé com certeza vai solicitar o de tempo completo (isso pq não é previamente aprovado, tem de pedir e ver se aceitam). Eu, apesar de ter direito tb, creio que vou pro parcial e começar a correr atrás de trampo…

Mas a real, meus amigos, é que, sem francês, não rola Québec não. Ainda que o sujeito fale um bom inglês, boa parte das relações se estabelecem primeiro em francês mesmo. A voz mágica do metrô é em francês, quase tudo tá em francês. Em mesmo quem estuda o idioma há algum tempo (meu caso) sente-se meio apavorado (meu caso) na hora de usar a coisa na vida real, principalmente na hora de entender o estranhíssimo (pelo menos pra mim) sotaque québecois.

Outro aspecto reforçado na reunião foi quanto às demais regiões do Québec. Conforme Frédéric, Montréal fica com cerca de 80% dos imigrantes. Entretanto, as regiões teriam grande necessidade de pessoas como nós, inclusive com programas de incentivo à mudança. Sugeriu que tentássemos conhecer a realidade desses locais, principalmente quanto ao mercado de trabalho. Nos deu um calendário com as próximas sessões de informação (disponíveis na web). Tb sugeriu que marcássemos um rendez-vous com alguém dessa entidade chamada Collectif (fone: 514 374-7999) que teria um trabalho voltado ao apontamento de oportunidades de trabalho nas regiões. Vamos ver isso ainda.

Depois, explicou direitinho como fazer pra tirar o NAS (uma espécie de CPF), o Cartão de Seguro-Saúde e o Cartão de Residente Permanente. Frédéric tb marcou para nós sessões individuais com um agente que irá nos auxiliar no processo de integração e, principalmente, de entrada no mercado de trabalho.

Ah, durante o papo, ele mencionou que fazia trabalho voluntário (bénévolat) e daí eu contei que fazia no Brasil e gostaria de continuar fazendo aqui, na área de Proteção Animal. Ele me deu o nome de uma entidade por aqui: a SPCA. Já entrei em contato por e-mail, estivemos lá com o Roberto e a Flávia, e devo dar uma passada lá na semana que vem pra conversar com a chefe da equipe de voluntários.

Os documentos: agora nós existimos!!!

Essa semana passamos a existir sob a forma de números para os sistemas canadenses. Wohoo!!!!

O Permanent Resident Card foi fácil de pedir: colocamos nosso endereço novo lá no site deles e pronto. Um dia o cartão chega…

Para o NAS, precisamos ir a uma agência do governo. Esperamos um pouco nossa senha ser chamada e fomos à cabine com esse cara… Que figura!!!! Rimos tanto enquanto ele averiguava as informações e assinávamos a papelada toda"!!! O sujeito já tinha ido ao Brasil, ao Carnaval carioca, e contava as histórias mais hilárias sobre suas aventuras. E dá-lhe caras e bocas… Reparamos isso no Québécois mais típico mesmo e mais tranquilo: eles são cheios dos gestos e caras engraçadas. Eu, que sempre tive vocação pra drag queen, me encontrei e até simulei uma dança de terreiro (no momento em que começamos a falar sobre o tanto que ele se impressionou com a existência de prática de magia negra no Brasil). Obviamente expliquei que isso faz parte de práticas religiosas importantes (eu, particularmente, acho LINDAS as festas de santo) e ele disse que vai a uma na próxima vez que for ao Brasil. Ah, roubaram a câmera fotográfica dele no Rio.

Outra coisa que amei foram os elogios ao meu francês. Ele disse que essa foi a segunda vez que conseguiu bater um papo com imigrantes no idioma. Isso fez muito bem pro meu ego, uma vez que ainda me sinto super apavorada com minha performance. O Zé disse que eu ia ficar insuportável de tanto me achar!!!

Do NAS, fomos providenciar a Assurance Maladie (o cartão de saúde). Aí, caros amigos que ainda vão passar por isso, uma recomendação: levem algo pra ler. Chegamos 12:30 e saímos às 16:30. Muita gente e muito lento o processo.

Detalhe bobo: minha mãe deve lembrar da vez em que, na primeira série, tive de escrever cem vezes meu nome com acento. E eu continuei esquecendo o acento do Cláudia. Pois bem: agora caiu. Meus documentos saem sem acento e eu virei só Claudia.

Au-au dodói

Uma coisa que foi uma dor de cabeça foi um revertério que deu no Leopoldo. O problema foi que, no dia em que compramos as botas do bichinho, o cara do Pet Shop deu uma espécie de salsichão canino de presente pra ele. Era pra promover o novo produto. A única coisa que promoveu, entretanto, foi uma diarréia forte no cachorro (pensa que maravilha isso num apê fechado e com calefação) e a certeza de que marcharíamos numa grana com vet. Isso pq durou 4 dias o mal-estar do rapaz. Qdo tava pegando o telefone pra marcar consulta pra ele, Leopoldo saiu da caixa, foi comer, beber água e fez festinha.

Então, mais um conselho gratuito: as coisas que cachorrinhos canadenses gostam podem não ser as coisas que fazem bem ao seu cachorrinho brasileiro. Mantenham-se na ração…

Ah, e isso vale pra seres humanos tb… Compramos um embutido de frango que, acreditamos, foi o responsável por uma alergia no Zé.

...

Deixo com vocês um vídeo tosco feito por mim com a vista de Montréal:



6 comentários:

Joseli A Sousa disse...

Ai que coisa boa, coisa boa demais!
Lindo, lindo!
Claudia, agora sem acento, parabéns pelo francês!
Felicidades!

Harley disse...

Oi, meu nome é Harley, leitora do Blog, já deixei até uma mensagem, li isso e lembrei de vc!!!
Beijos!!!
La Presse
Chaque année, la rédaction de La Presse organise un stage de 10 semaines, de juin à août, et recrute de jeunes journalistes par le biais d'un concours.
Si vous souhaitez proposer votre candidature pour le stage de l'été 2009, veuillez nous faire parvenir votre dossier avant le 15 février prochain, en incluant :
- une lettre de motivation
- votre curriculum vitae
- une sélection d'articles déjà publiés
- les candidats n'ayant jamais publié d'articles dans des journaux ou des magazines d'informations sont invités à proposer une sélection de textes en précisant le contexte dans lequel ils ont été écrits (travail universitaire, personnel, etc.)
Parmi les candidatures, une cinquantaine de personnes recevront par la poste, vers la fin mars, une invitation pour participer à un examen de présélection.
L'examen, qui aura lieu à la mi-avril, comprendra :
- un test de culture générale et de connaissances sur l'actualité;
- la rédaction d'un article à partir de paramètres préétablis;
- la rédaction d'un article en français à partir d'une dépêche ou d'un communiqué en anglais;
- la révision de deux textes.
Les entrevues de sélection finale auront lieu au début du mois de mai.
La participation au stage d'été donne lieu à une rémunération selon les conditions établies dans la convention collective.
Veuillez adresser votre dossier de candidature par la poste à :
« Concours Stage d'été »
Direction de l'Information
La Presse
7, rue Saint-Jacques
Montréal (Québec) H2Y 1K9

Luiz e Anna disse...

Pois é... eu tb vejo muitas semelhancas dos serviços publicos daqui com os do BR. Estou a mais de uma semana tentando marcar um rendez-vous com um conselheiro de emprego do Centre Local d'Emploi e nao consigo. O caso é q tenho tempo definido p/ fazer isso, senao nao terei como, mas eles nao estao com pressa alguma e ainda dizem q tentam falar comigo e eu nao atendo. O caso é q meu identificador de chamadas nao acusa nenhuma ligacao deles...e pelo visto so com eles... tsck tsck tsck. Incompetencia p/ usar um telefone ou pura falta de vontade de fazer o trabalho p/ q sao pagos, q é ajudar quem quer informacao! É a segunda vez q so quero info deles e eles agem de corpo mole. É um problema isso.

Mas enfim, achei um blog de alguem q gosta de escrever mais q eu... ufa! Estava me sentindo um ET no mundo dos blogs...hahahahah :P

Boa sorte aí em MTL !! :)
Luiz Claudio

Júnior disse...

Olá! Primeiramente gostaria de parabenizar pelo blog, e pelas postagens, estão sendo muito legais e proveitosas!!
Gostaria ainda de tirar uma dúvida sobre algo que vc falou nesse post:
Disse que o agente de imigração os incentivou para conhecer a realidade "das regiões". Não entendi muito bem quanto "às regiões", quais seriam elas? Outras cidades? Poderia me explicar melhor... vamos fazer nossa entrevista em abril e estamos tentando nos preparar bem, entende?
Agradeço a atenção!
Ps.: podem responder aqui, mas se quiser, aqui vai meu email e blog: ubirajr@gmail.com e www.lidiejr.blogspot.com

vlw!

Clau e Zé disse...

Oi, Harley!!!

Obrigadíssima pela dica!! Vou ver com atenção se tenho condições de aplicar...

Oi, Luiz!!
Vou olhar seu blog! É verdade, eu gosto de escrever... É uma coisa que dá uma incrível sensação de alívio, sei lá... Mas que beleza esse serviço que vc tá esperando hein...

Oi, Júnior!
As regiões seriam as outras partes do Québec sem ser Montréal. Pura coincidência, hoje na sessão de orientação em que fui, deram um material super extenso sobre a coisa, inclusive com áreas de atração por municipalidade. Vou dar um jeito de postar por aqui, ok?

Abços a todos e obrigada pela audiência!!

Anônimo disse...

Zé e Claudiá(a pronúncia, então, ficou assim, já que perdeste o acento no primeiro a,rs) e querido Leo, agora já curado,para alívio nosso.
João e eu acabamos de ler o blog todo, de cabo a rabo.Rimos muito e matamos a saudade.Então,capitularam ao arroz e feijão,heim?.
Assistimos ao filme A era da inocência, com uma abordagem interessantíssima do serviço público canadense(Aliás, este filme faz intertextualidade com o "As invasões bárbaras" que também mostra alguma coisa) e lembramos de vocês o tempo todo. Quando estiverem no endereço fixo, mandarei um feijaozinho daqui eo que mais quiserem para matar a saudade.
Vocês fazem falta por aqui.
Beijo grande

Beth e João