domingo, maio 31

Mocinho, um pequinês safado (história triste)

 

O Mocinho foi um desses amores que a gente não planeja, não calcula. Era um dia frio em Campo Grande (frio pros parâmetros de quem não tinha vivido o inverno em Montréal) e eu tava indo pra universidade onde dava aula. A rua era razoavelmente movimentada naquele horário, com os carros da galera indo estudar. Tava eu voando no meu corsinha (pé pesado...) e eis que vejo aquela coisinha no meio da rua, peludinho, fazendo os carros alterarem o curso. Vi que era um cachorro e parei de qualquer jeito (já tomei cada xingão por causa disso) pra acudir... Era pequeninho, pequinês, feio e judiado, apesar do pêlo com cara de tosado. Achei que ele devia ter se perdido. Peguei o rapaz no colo com dificuldade, já que o monte de carrapichos o machucava. Pus o bichinho no banco do carona e ele não teve dúvidas: pulou no meu colo e começou a lamber meu queixo. Já comecei a chorar ali mesmo, mas isso não é novidade, porque sou uma manteiga-derretida.

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Cheguei atrasada ao serviço, claro, mas não antes de ir deixá-lo na minha mãe que, com o quintal grande, ia poder dar guarida ao moço até eu voltar e ir atrás de veterinário. E lá ele ficou pra sempre. Muito velhinho (cego e sem uma parte da língua), era quase impossível arrumar lar adotivo pra ele. A esperança era achar o dono que o tivesse perdido, e lá fomos nós divulgar o au-au. No jornal universitário, ele apareceu na capa. No jornal de maior circulação do Estado, lá estava o menino com a foto estampada.

Um dia ligou uma mulher no telefone anunciado e meu pai atendeu. Ela queria saber se o cachorro estava bem, se estava feliz. Seu Ricardo sacou na hora que era a antiga dona. Gentil, papis reforçou que era muito amado ali, e ela desligou.

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Nossa suspeita/quase-certeza: porque tava velho, fora abandonado pra terminar de morrer naquela região de terrenos baldios. Prática comum, aliás, dessa gente tosca e medieval que não respeita nada nem ninguém. Se eu acreditasse em inferno, ia desejar que nele queimassem eternidade adentro...

 

Ele ficou sendo chamado de Mocinho, batizado pela minha mãe. Ela explicou que “não é porque ele seja novinho, mas porque ele venceu os bandidos”. Isso tudo foi em julho do ano passado. Nesse meio tempo, Mocinho foi levando um vidão: dormia no sofá; latia pras visitas; comia ossinhos cozidos pela dona Selma; teve um amor não correspondido pelo Birkoff, o boxer oficial da família; e curtiu, apaixonado, dois cios de duas cadelinhas (sem dar conta de fazer nada a respeito).

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Eu me apaixonei por ele. Charmoso, gostoso, dengoso, gemia quando o pegava no colo e, mesmo cego, me procurava com os olhos quando o chamava pelo Skype nesses últimos quatro meses de namoro a distancia (que Leopoldo não me ouça). Hoje minha irmã me contou pelo MSN que o Mocinho faleceu essa tarde.

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Saudade que dói.

19 comentários:

Beatriz disse...

aahhhh Claudia... sinto muito pelo Mocinho.

Mas para seu consolo, ao menos ele morreu sendo amado e sendo muito acarinhado. Poderia ter tido uma vida muito pior caso vc não tivesse tido a coragem de tomá-lo no colo.

Ele foi com certeza feliz!

Abraços,

Bia.

Fernanda disse...

Oi Claudia! Fico feliz de vc ter feito esta boa ação ao Mocinho. Fico me perguntando como podem ter pessoas tão sem coração a ponto de abandonar um cachorro que está velhinho e cego?? Mas fico feliz de saber que vc o encontrou e que ele foi amado e bem cuidado até o final de sua vida.

Abraços
Fernanda

"Quebequase" Latinos disse...

puxa... ele era tão fofinho!

que bom que ele te encontrou pelo caminho!

gabi

Camila disse...

Oi, Clau,

Pôxa... Que história essa...

Eu nunca tive cachorro/gato em casa, mas tenho um apreço enorme pelos animais e realmente não consigo entender essas criaturas desalmadas que largam os bichos à própria sorte quando eles mais precisam dos seus donos.

Tipo: o bichinho só serve quando está lá serelepe, pulando e sem dar muito trabalho. Quando ele adoece e/ou envelhece, não serve mais pra nada. Raciocínio difícil de engolir esse.

Bom, como Beatriz disse acima, o mais importante é que ele passou os últimos momentos dele rodeado de amor!

Ah! Falando em bichinhos, ontem acabamos indo, meio que de supetão, no Biodôme e, confesso, foi legal e tal, mas nada assim demais; fiquei um pouco decepcionada. Não sei se pelo cansaço de ficar 2 horas (!!!) na fila ou pela muvuca lá dentro que não deixava a gente contemplar as coisas direito...

É isso, querida! Adoramos conhecer você e Zé! Vamos continuar nos vendo... Eu quero! ;o)

Beijo grande!

PS: AMEI o nome - depois da explicação mais ainda - que sua mãe deu ao cachorrinho! Lindo!

LiliX disse...

chorei.....

eunoquebec disse...

História triste para nós, mas com certeza pro Mocinho foi uma história com um final muito feliz.

Abraços,

Eric

Jeanne disse...

E eu comecei a chorar antes do meio do post, quando ele lambeu seu queixo.
Esse foi um garoto de sorte, que encontrou uma família que o amou e acolheu, mesmo estando velhinho e ceguinho.
Bjs

Carlos disse...

Claudinha... tu fez um marmanjo de 26 anos desabar em lágrimas, primeiro pq tenho um shitzu tb e ele é carinhoso ao extremo comigo tb... olha, de coração, esse teu trabalho com os animais é uma coisa tão digna e tão bonita... pode ter certeza, que quando o mocinho acordou, estava no colo de Deus, que fazia carinho em seu pelo... Deus vai te abençoar muito, pois você tirou um cãozinho abandonado para morrer e deu uma VIDA verdadeira... ele foi muito amado e com certeza está em paz agora...
O bacana é que esse amor nunca acaba... o que me faz segurar a onda é a certeza de um reencontro um dia... todos estaremos juntos novamente...

Fica com Deus e força...

Giovana disse...

Ai Claudia, te confesso que não consegui passar das primeiras linhas do post (pois igual a ti, sou uma manteiga extra-derretida!), mas quero te parabenizar pela solidariedade com o Mocinho, que tenho certeza estar em doggie heaven, super bem e feliz, se divertindo com os outros amiguinhos peludos que estão por lá também. :-)

Beijo grande.

Roberta disse...

Poxa.... sinto muito pelo Mocinho...

Essas coisas doem lá na alma...

Abraço,
Roberta

Gisele disse...

... [Lágrimas nos olhos!]

Putz.....sinto muito Claúdia! De verdade. Vc e sua família são agraciados com o coração enorme de vcs!!!!
Que bom, que antes de morrer o "Mocinho" teve vocês!

PS: Adorei a justificativa do nome!!

ju k disse...

essa história não é triste não, é feliz e linda. vcs proporcionaram a este serzinho indefeso os melhores últimos dias possíveis. a felicidade muitas vezes não está em nascer bem, mas em morrer bem, cercado de amor.tudo de bom.

Lely disse...

Eu estou com lágrima nos olhos... Não por ser uma história trista, mas pq na verdade ela é muito bonita. Uma história de amor mesmo.
Eu sei bem como é.

Mas tenho certeza que ele teve uma velhice bem feliz e foi muito amado e agora está no céu, com certeza.

bjos.

Ricardo disse...

Oi filhota. Vc foi muito feliz em seus comentários. O mocinho nos marcou muito pois foi acima de tudo um sobrevivente. Ultimamente ele latia quando eu e a Selma chegavamos em casa,ele deitava no chão de barriga para cima e continuava latindo. Quando alguem chegava eu falava - pega mocinho - e ele saia latindo, geralmente em direção oposta, por ser cego. Uma graça. Quanto ao birkoff, para que ninguem fique em dúvida quanto a sua masculinidade, devido ao seu comentário, afirmo e reafirmo que ele é espada, e tem mais, um amigo (Waldiney)tem uma cachorrinha chamada latoya que ja está comprometida com o birkoff. Ela é pretinha com manchas brancas. O Birkoff vai traçar ela.rsrsrsrs
Ogrigado a todos os amigos que fizeram os comentários. Voces são uns amores. Um abração a todos.
Ricardo (papis).

Nanna disse...

BAh clau...
meu primeiro cachorro foi um pequinês... Robby o nome dele... amo essa raça sabe... Q pena.. Q pena... me comovi.
bjs

Lu disse...

Aaaaiiii que triste Clau... acabamos de ler o post, vc sabe que a gente tbém adora cachorro... não é nada fácil escutar isso né... fico pensando na minha velhinha tbém... que pena, ao menos ele viveu bem esse tempo com vcs... se cuida ai tá!!
Bjoss
Lu e Rodolfo

Temperatura Máxima no Canadá disse...

Faço parte do "clube das choronas" meu coração derrete cada vez que leio, ouço ou vejo essas histórias... Saiba que a histório do mocinho, nada tem de triste, ele com certeza foi imensamente amado nesse último um ano da vida dele, se vc não o tivesse adotado, ele teria morrido sem conhecer o verdadeiro amor de um dono...
Sou apaixonaaaada por bichos, sofri muito com a morte da minha gatinha esse ano, mas continuo tendo um monte de bicho, pq sei o qto eles precisam de mim e eu deles.
Parabéns pela sua iniciativa, vc foi um anjo que apareceu na vida do mocinho. Certamente, ele morreu em paz...

Super beijo

Rosi

Claudinha disse...

OH amiga....sinto muito pelo mocinho...mas como ja disse a Fernanda...vcs fizeram por ele tudo o que podiam...e que fariam sempre porque são pessoas...
Há muita gente por ai que que acha que é pessoa...mas não é...é coisa quem abandona animais velhos...ou como aqui em Portugal...os cães e gatos são abandonado porque as "coisas" saem de férias e não tem onde os deixar...entre julho e setembro é uma loucura...
Sei que não acreditas em Céu ou Inferno...as vezes nem eu...mas sei que o Mocinho vai para o Céu dos animais ...assim como dizia a minha avó...
Um beijio muito grande

Clau e Zé disse...

Pessoas, obrigada pelo carinho. O Mocinho foi mesmo muito amado. E tchan tchan tchan! Deixou uma surpresa! Leiam o próximo post e descubram o que aconteceu hehehehe
Bjos grandes a todos os apaixonados por animais!