sábado, julho 11

I’m broke but I’m happy, I’m poor but I’m kind

Dica pra imigrante que ainda não tá frouxo na parada: dar uma passadinha na Mission Bon Accueil. Eles têm ‘só’ 116 anos de existência e oferecem vários serviços aos recém-chegados. Vou falar dos que eu conheci essa semana, mas saibam que eles têm mais coisas, como alojamento e serviço à infância. Para usufruir dos programas, basta ligar lá e marcar um rendez-vous para abertura de dossiê: 514 523-5288

1) Doação de colchões

Não peguei nenhum colchão pra nós, mas dei uma conferida pra poder contar depois. Dentre os que vi, tinha muito colchão inteiraço, limpinho mesmo. Eles dão de presente pra quem precisar, mas o transporte fica por conta de cada um.

2) Boutique

A lojinha de roupas tem coisas usadas e novas, a preços camaradas. Quando você abre o seu dossiê, eles dão um vale, com valores diferentes dependendo do tamanho da família, pra usar na boutique. Fui achando que não ia ter nada muito interessante, mas me impressionei. Tem muita coisa nova doada por empresas, como camisetas promocionais, por exemplo. Eu peguei pra mim um roupão de banho liiiindo, ultra fofão, bordado, novinho zero-bala, ainda com a etiqueta da loja apontando o preço original de 55 dólares. Se eu fosse pagar, na boutique tava a 9.90. Mas como usei meu ticket, não paguei nada.

3) Rango

A entrega de “cestas” de alimentos acontece a cada 15 dias para as famílias cadastradas. Fui confiando na minha amiga Flavinha que me disse que vinha bastante coisa legal. A entrega começa às 9 da manhã mas, sabendo que pobre que é pobre chega cedo, fui às 8h30. A fila já estava dando volta. Enquanto esperava, conheci um brasileiro com quem comentei que quase não havia conterrâneos ali. Ele me falou que tem sim, bastante até, mas brasileiro costuma ser mais discreto, envergonhado até, e não fica alardeando a presença na fila da caridade.

Desavergonhada que sou, conto pra todo mundo no blog hehehehe.

Vamos ao que interessa. Saí de lá às 10 horas, com uma mochila e uma sacola grande super pesadas, contendo, entre outras coisas: pudim de baunilha, pão integral, pão branco e bisnaga, croissant, pão doce, molhinhos de salada, macarrão, salmão, chá verde engarrafado, cebola, batata, repolho baby, presunto, etc.

Fala sério: onde que no Brasil pobre ganha salmão, croissant e presuntinho?

Verdade seja dita: quando eu e o Zé estivermos trabalhando, não vamos mais pegar essas cestinhas básicas, até porque passar a manhã em fila é bem coisa de desempregado. Mas, bem, como explicar a sensação…? Quando eu era uma jornalista/professora universitária conhecida e respeitada (chique né), lembrava com muito carinho da minha fase de estudante dura, se ferrando pra pegar ônibus, trabalhar, estudar, namorar, festar e beber, tudo ao mesmo tempo. Quando eu era novinha, não fazia idéia de que me sentiria assim sobre a vida que estava vivendo quando o futuro chegasse (era feliz e não sabia / a gente era pobre mas se divertia). Bem, hoje estou praticamente no mesmo ponto onde estava 10 anos atrás, (re)começando do zero, (re)construindo minha vida (claro que sem o mesmo metabolismo que emagrece pra caber no vestido em uma semana e que se recupera das cachaçadas só no chazinho). A diferença é que, agora, tenho a mais perfeita noção de que sou extremamente feliz, estou onde desejo estar e, faça chuva ou faça sol (ou faça neve – carregar compras na neve é um terror), vou lembrar de toda essa loucura com muito carinho…

E agora… com AVON!!!

Mais uma novidade na linha proletariado-feliz: agora sou uma linda representante AVON. O mulheredo querendo comprar batons, esmaltes e creminhos já conhecidos, pode falar comigo. Os precinhos, que nem no Brasil, também são bem camaradas…

color

9 comentários:

Aline e Jório disse...

Cada vez que leio um post de vocês me emociono... rs... Fico bem empolgada e acho que vocês têm tudo para se dar super bem por aí: têm garra, se desdobram em 4 para ir atrás das coisas, têm um cachorro lindo e muita coragem. E ainda mais agora! Todos hidratados e maquiados com AVON!!!!
Adorei as dicas e estão anotadas no caderninho de bordo... rs
Beijos!

Rodrigo Braga disse...

Adorei a dica!!! Parabéns pelo desdobramento. Quando chegar em Montréal (10 de agosto), também vou procurar a Mission Bon Accueil.

ps- Também sou jornalista. Podemos trocar algumas figurinhas quando chegar aí.

Abraços!

Rodrigo Braga

Guilherme Soares Dias disse...

Legal, Claudia. Te conheço da época que era (e ainda é) uma jornalista respeitada. Bom, ler essas suas experiências. Incentivam e impulsionam quem tem vontade de fazer o mesmo...Sou jornalista campo-grandense e também pretendo vivenciar outro país em breve. Por enquanto, estou experimentando São Paulo, onde vivo desde março. Abraço e boa sorte.

Beatriz disse...

nóis é pobre mais nóis é feliz!!!

esse é a grande inspiração pra vida. pode parecer bobo e humilhante, mas vc falou uma coisa que fez o post parecer sério em segundos: vc está feliz onde vc está agora.

e isso é o mais importante. toda a situação em torno disso é uma questão de tempo.

ótimo post (mais uma vez), vc me mata de rir!!

bjocas!!

Claudinha disse...

...tenho pena é de os portes ficarem tão caros...mas me dava jeito um batom daqueles que nunca mais sai da boca!!!!rsrsrsr

LiliX disse...

meu!
Sempre tento te achar na net...mas acho q vc deve tar ocupadinha neh?
heheheh vida de imigrante nao é fácil...
Tá tudo bem aí? E o Leópis? Eu estou em Búzios-RJ...visitando meu papis...
Essa semana eu volto ã estressante vida de quase-imigrante...
Beijokas!

P disse...

excelentes dicas. teu senso de humor é incrível.
:)
que bom que você deixou o brasil, porque sua profissão está sendo ridicularizada por aqui. agora qualquer mané na esquina pode fazer o seu estudado e árduo trabalho! se é pra recomeçar... melhor num lugar onde se pode ganhar salmão, né?
:)

bisous
p

Fernanda disse...

Olá! Gostei da novidade de vc vender Avon! Eu amo comprar as coisas da Avon e já estava me perguntando se aí conheceria alguém para poder continuar as minhas comprinhas rsrsrs. Pode deixar que vou te procurar quando precisar comprar algumas coisinhas da Avo!

Bjs
Fernanda

Azize disse...

Tenho uma informação para completar a questão da alimentação:
Moro arrondissement de Parc-Extension, considerado como um bairro "desfavorisado" aos padrões da cidade, e justamente por isso, a ajuda alimentar deveria dar um bom suporte às familias defavorizadas. Mas rola uma "burrocracia" absurda, vc precisa de um rendez-vous com espera de 1 mês para abrir o dossiê e mais 1 mês para o 2º rendez-vous para pergar a ajuda, que é ridícula, praticamente uma esmola. Vc tem direito a pedir 4 vezes por ano, após os rendez-vouz de no mínimo 1 mês, e consiste em:
1 porção por pessoa de aproximadamente:
saquinhos de aproximadamente 500 a 600g de
arroz, feijão e lentilha
1 lata de atum
1 pacote de macarrão
1 suco Ades
1 geleia
Entre outros pouquissimos produtos.
Cada produto tem seu preço, como o do supermercado. Vc pode somar no máximo 20$ de todos os itens, e paga só 15% do total.
Já o meu amigo que mora na Petite Italie, ganha uma cesta parecida com a que vc disse! Por isso na hora de procurar esse serviço, fiquem bem atentos, pois tem orgãos que uma vez que vc se inscreve, não pode mudar de entidade!