domingo, agosto 23

Lendas do Québec – parte I

Peguei um livro super bacana na biblioteca, o “Légendes du Québec: un héritage culturel”, de Jean-Claude Dupont, Les Éditions GID, 2008.

Adoro lendas e mitos, e achei que ia ser legal compartilhar algumas dessas histórias. Mas vou por partes, conforme sigo com a leitura, ok?

Ah, e a tradução é completamente livre.


A mais famosa de todas: a lenda da Chasse-Galérie


No meio da floresta, na noite de natal, com a cabana coberta de neve, um bando de caçadores– que ali estavam havia vários meses – embriagados com rum, resolvem fazer um pacto com o diabo em troca de uma rápida visita à cidade e, principalmente, suas mulheres. No negócio, eles só perdem a alma se pronunciarem o nome de Deus ou se tocarem em um crucifixo.

Eles colocam a canoa em cima de um monte de neve e chamam o capeta, com as seguinte palavras:

“Satan, roi de l’enfer, nous promettons de te vendre nos âmes si d’ici six heures du matin nous prononçons le nom de Dieu, ton maître et le nôtre, ou si nous touchons une croix. À cette condition tu vas nous porter, à travers l’espace, où nous voudrons aller et tu nous ramèneras sains et saufs ici. Acabris, Acabras, Acabrum! Fais-nous voyager par-dessus les montagnes!”

E eis que a canoa levanta vôo! Eles vão, festam, bebem, se acabam. Na volta, um deles (aqueles tipinhos que bebem e viram macho pra dedéu) começa a praguejar contra tudo e contra todos. Até começar a blasfemar contra Deus. Aí, a canoa despenca, todos morrem e têm suas almas carregadas para o inferno, onde vão queimar por toda eternidade…

(Adaptação básica do mito: seria legal se isso acontecesse com todo caçador %&*#$%, praticante de rodeio, apostador de rinha e coisas cretinas afins)

O fantasma do campo de trigo (Le fantôme du champ de blé)

Em meados do século 19, houve um tempo de muita pobreza, as batatas não vingavam e não se conseguia vender o trigo. Magloire era o herdeiro de uma terra que a família vinha cultivando fazia gerações. Mas, por causa da crise, Mag resolveu ir trabalhar nos EUA pra juntar um dinheiro e depois voltar e salvar a plantação de seus ancestrais.

Um dia, o fazendeiro vizinho recebeu uma carta de Magloire, dizendo que não voltaria mais dos Estados Unidos e oferecendo as suas terras por um bom preço. Pensando em ali estabelecer os filhos, o vizinho, québécois de fé, comprou as terras.

No dia da primeira colheita, os rapazes testemunharam algo assombroso: o aparecimento, em pleno campo de trigo, do velho François, avô de Magloire. Ele parecia apreciar o campo que cultivara com tanto amor e que fora abandonado pela descendência traidora.

E até hoje, quando é época de colheita, ao menos uma missa é cantada pelo repouso da alma do velho François…

5 comentários:

LiliX disse...

afeeeeeeeeee....que diaxo de lendas de terror!
:0

ainda bem q num teve zumbi neh...

Jeanne disse...

Tá cheia de assunto, hein? Gostei de ver! Já eu... tô numa falta de assunto total! rsrsrs

Ana Luna disse...

Nossa, amei as lendas... mas fico imaginando... quando será que conseguirei ler um livro em francês??? Quando terei esse nível!!! Se é que terei!!! Hehehe!!! Pra mim, tudo parece ser tãoooooo lento e difícil!
Bem... firme e forte!
Apesar da dificuldade... estou amando!
Adorei o post! Adoro contos!
Bjuuuuuussss

Taty disse...

hahaha show as lendas....

eu tô me matando pra ler o livro da aliança... valha me deus hahahaha...

Bea disse...

Muito legal! Adoro lendas! As de terror são as melhores!

;)

Bjos!