terça-feira, setembro 1

Vai ao ginecologista? Boa sorte…

 

chá de ca[1]..

 

Foram três horas de espera, isso depois de ter esperado desde abril (quando marquei o rendez-vous) pra ser atendida por um ginecologista.

A consulta foi conseguida via encaminhamento do nosso médico de família (da Clínica Zina-Santé, que ainda está aberta para novos pacientes). Na época, expliquei pra ele que tinha passado por um procedimento de cauterização em dezembro, ainda no Brasil e que, conforme recomendação de meu médico, precisava de follow-up.

(Observação: quando há algum histórico mais ou menos importante, vale a pena pedir ao médico, ainda no Brasil, que ele redija um report do que foi o problema e quais os procedimentos seguidos; o meu médico de família aqui pediu e foi minha mãe quem teve de ir atrás).

Muito bem, depois de ouvir mil histórias locais de horror (e cinco meses depois), lá fui eu ao consultório do ginecologista. Antes de ir, claro, tentei dar aquela ligada básica pra saber se o rendez-vous estava confirmado. Só consegui ouvir a voz da secretária eletrônica que, gentilmente, me informava: “se for uma urgência, dirija-se ao hospital”. Simpático, não é mesmo?

Lá chegando, descobri que estava no lugar errado. E a culpa nem era de meu analfabetismo em francês, viu? O endereço estava errado na guia de encaminhamento. Mas era pertinho, pas de problème

Uma vez no balcão da recepcionista, já senti o drama. Uma senhora estava tendo um surto psicótico pelo atraso de três horas no atendimento. Falei pra moça que, se ela achasse melhor, eu poderia remarcar pra outro dia, já que minha consulta não era pra nada muito urgente. “Hoje ou depois, tanto faz, é sempre assim. Daqui a duas horas a senhora será atendida”, respondeu a criatura. Isso foi às 16 horas.

Saquei meu livro da bolsa e, às 19h, fui chamada pro consultório. Fiquei lá dentro 10 minutos. Não fui pesada, medida, não teve questionário algum. Talvez seja porque meu prontuário iria ser encaminhado pro médico de família, não sei.

E na hora da verdade… Não rola vinho nem jantar à luz de velas… A gente tira a roupa (parte de baixo só, porque eles não examinam os seios e nem mencionam o assunto) na frente do médico mesmo, sem banheiro, aventalzinho azul nem nada. Como eu já tinha sido alertada por uma amiga sobre o sistema trash aplicado aqui, fui de saia. Aliás, como não tem nem paninho pra pôr no colo, a quem precisar ir ao gineco de calça comprida, recomendo levar uma echarpe, uma camiseta, qualquer coisa, pra não ter de ficar olhando a cara do médico enquanto ele, digamos, olha lá dentro de você.

Depois da boa notícia de que meu colo uterino está lindo, perguntei sobre o resultado do papanicolau. O médico (que, verdade seja dita, ao menos foi bastante delicado) respondeu que em um mês (!) o exame ficaria pronto e, se houvesse algum problema, ele entraria em contato, ou seja, no news, good news.

21 comentários:

Camila disse...

Ai, Clau...

Que troço chato isso! Será que a gente precisa ficar grávida pra ser bem atendida por esse sistema de saúde? As grávidas se sentem rainhas aqui.

Claaaaaaaaaaaaaaro! Isso faz parte dos planos de aumentar a população local. Tão óbvio! :oP

P disse...

ai, que trevas!
:(
até um ginecologista ruim aqui é melhor que aí! que situação...

e como assim não apalpar as mamas!!!!
decepcionante essa saúde de graça.

Taty disse...

pois é.. a solução, pra quem puder, é manter um plano médio aqui no brasil... e quando vier visitar a familia fazer a bateria total de exames.... como li uma vez num blog "se eu estiver morrendo me manda pro brasil" hehehehe

Jeanne disse...

Eu tinha um médico de família que era uma múmia, e quando chegou a hora de ver esse tipo de coisa disse a ele que queria passar com uma médica. Ele esperneou mas eu falei mais alto. Uma outra médica de família me atendeu,mas infelizmente, por política da clínica, ela não poderia me aceitar como paciente permanente. Meeeeeeeeses depois finalmente consegui uma médica de família filha de japoneses e casada com polonês (rsrsrs). Ela é uma amor e o exame das partes "baixas" foi tranquilo. Ah, o resultado? Se desse alguma coisa ela me ligaria em 3 meses...
Ela acha um absurdo ter que esperar 3 meses pq muitas pacientes chegam lá com câncer em estado avançado e 3 meses pra ela talvez seja o tempo total de vida que resta, mas a médica disse que não existe nada que ela possa fazer pra mudar isso, infelizmente.
Bjs

Lely K. disse...

Olha eu estou apavorada.
Eu tenho verdadeiro trauma e horror a ginecologista. Minhas visitas anuais são sempre tensas. Tá certo que nos últimos dois anos eu tive a sorte de encontrar a Dr. Simone, que é ótima, mas meu trauma persiste... :(

Acho que vou passar maus bocados no Canada!

Vanessa disse...

Clau,
Afffffffffff..., meu Deus!!!
Quanta diferença dos médicos queriiiiiidos aqui do Brasil.
Eu que tenho problemas de micro-cistos nos ovários e tenho que fazer exames de 6 em 6 meses; o que farei???
Oh Mon Dieu, bless me!!!
Beijinhos.

Vanessa, Saulo... e Margot - Destino Gelado.
www.vanessasaulo.blogspot.com

Wender e Ana Paula disse...

Clau, se não fosse trágico, seria cômico!
Confesso que rachei o bico de rir com seu post... adoro ler seu blog!
Abraços

Gleice Kelly disse...

Acho que nem nos hospitais públicos do Brasil você passaria por isso. Muito obrigada pelo toque quando eu for me aventurar vou prevenida.
Um abraço.

Bea disse...

Gente! Que coisa mais thrash!!! Jesus!!!

E afinal, quem vai fazer o exame da mama???

Nossa... que atraso heim! Tô pasma! =/

Daniel Skeff disse...

Olá Cláudia tudo bem! E o Zé, como vai!? Terminou a francisação!? Já está empregado!? Desculpe a comparação, mas se me permite esta história parece até aquelas cônicas do Luiz Fernando Veríssimo (Um Dia de Merda - http://br.geocities.com/fld2001/diademerda.htm). RS... Que horror! :D Abraços aos dois! Salut!

Roderick van Rodregfus disse...

Caraca... do atendimento nota 10 da recepcionista ao modo Dr. Cuttle de ser do médico, acho que prefiro até o SUS daqui que o sistema de saúde daí...
Trash mesmo, hein?

inertia disse...

Lendo essas histórias fico até com medo, hehehe... Interessante que ainda não vi UM blog que fale bem desse assunto!
Vc não perguntou pro médico pq ele não ia fazer o exame das mamas? Eu li em alguns lugares que eles não são obrigados a fazer, a não ser que o paciente peça...

Flá disse...

Poxa, que experiência mais desagradável!
Felizmente aqui pros meus lados (Halifax - NS) a coisa é diferente: a gente tem uma médicA de família - qdo eu fui pesquisar, já dei preferência por ser mulher - que nos aceitou como pacientes logo de cara após a nossa chegada. Meu exame anual de "frango arregaçado" é feito por ela também - que me dá um belo pedaço de papel de cobrir maca para eu me cobrir e sai do pequeno consultório pra que eu tire a roupa. O exame é super tranquilo - ela sempre puxa aquele papinho besta... - e examina as mamas tbm. O resultado eu nunca vejo mas fico tranquila pq sei que se tiver problema, eles me ligam.
Desculpe o longo relato mas quis te dizer que ainda há esperança no sistema público de saúde canadense!

Wellington disse...

agora consegui... hehehehhe
brigadoooo... vcs são 10 também....

Nanna disse...

Clau! Tu eh uma guerreira.. tá q eu ia aguentar um trem desses... besos

Wellington disse...

obrigado pelo comentário... hehehehehehehehhe.... e o Zé gostou do suco? abração

Claudinha disse...

é...verdade seja dita...quem tem dinheiro tem tudo...e a grande sorte da maioria das pessoas que escreveu comentários aqui neste post teve foi que quando moravam na Terra Brasilis usufruiam de um bom plano de saude pago a preço de ouro para ter um atendimento só um pouco melhor que o que se tem no exterior de graça...no Canadá deve rolar como aqui em PT...eu pago imposto e não preciso pagar mais nada...tenho é que ter paciencia e perceber que as coisas são diferentes porque os médicos são diferentes...na Europa existe um movimento pró humanização dos serviços de saude...o que tem melhorado e muito a questão da frieza nos tratamentos ...principalmente os em pediatria que era o que mais me fazia impressão no começo...
Com um bocado de boa vontade acabamos por perceber que a relação médico paciente é as vezes até muito mais profissional...
Mas as boas notícias é que interessam!!!!Ainda bem que está tudo bem contigo!!!
Olha já sei que meu bebé é outro menino!!!!!estamos todos radiantes...
Um beijo enorme...
Claudinha

Flávia disse...

Oi Claudia,
Bem sinto muito que voce passou por isso, porque todas as vezes que fui para o ginecologista ai nao foi nada disso... eles tinham um lugar para se trocar, e dava uma camisola para usar... alem do mais faziam um exame completo...

e sobre as gravidas... as gravidas nao recebem tanto atendimento assim nao, quando ia para o ginecologista 99% das vezes ele so escutava o coracao do bebe e era so isso.. a consulta era de 5 minutos.. o medico de familia que fazia mais exames...
e sobre a demora do atendimento.. tbem depende do medico, porque ai em montreal com hora marcada o maximo que esperei foi meia hora.

Agora se for ao plaza cote des neige, voce ia esperar na media de 3-6 horas.

André disse...

Oi, ja sabia que a humanizacao no canada em relacao medico paciente nao era muito interessante, mas ao ler seu blog fiquei ate um pouco constrangido de ter escolhido o canada para terminar minha graducao e medicina e enfermagem! Mas... quem sabe eu nao ajude a mudar a situacao?
No Br temos o efeito contrario, a profissional nao e mto bem preparado mas tem humanizacao, e ai tem uma melhor formacao ate mesmo pela metodologia aplicada, e nao tem humanizacao nenhuma!

brasilnocanada disse...

O post ficou tão bom, colocando o dedo na ferida muitas vezes oculta que é o sistema de saúde canadense (principalmente para quem vive no exterior e idealiza o país), que acabou sendo reproduzido na edição desta quinzena do Jornal da Gente, da comunidade brasileira de Toronto. O jornal ainda não está on line, mas é possível que ganhe um site em breve.

Erika disse...

Bom, apesar do trágico episódio, vocês continuam aí. Então não é de todo mal, ou estou enganada. Digo isto pois eu e meu marido temos interesse em mudarmos para o Canadá. Sabemos que não a lugar perfeito, e pessoas como seu ginecologista tem em todos os lugares, em alguns mais e em outros menos. Gostaríamos de saber se ainda assim, apesar de todos os contras encontrados nesse país gelado, vale a pena?
Muito obrigada e feliz natal.