segunda-feira, outubro 26

Tá enrolado? Procura aqui ó!


Cópia autenticada, confecção de currículo, aula de francês enquanto a francisação não vem? Conferir o contrato obscuro do aluguel, descobrir onde se faz doação de roupa e alimento, fazer a declaração do imposto de renda? Muitas das respostas aos problemas típicos do imigrante podem ser oferecidas por organismos parceiros do Ministério de Integração e Comunidades Culturais.

Hoje, por exemplo, o Jornal Métro publicou uma matéria sobre o Cari St-Laurent e as atividades voltadas à integração do público imigrante feminino. Eu e o Zé tivemos uma experiência bacana com eles, na parte de ajuda na elaboração do currículo. Chegamos a participar de um atelier bem instrutivo sobre o mercado de trabalho. Entre vários outros serviços, eles fazem a copie conforme, algo como a nossa cópia autenticada. Se não me engano, para até 15 documentos a autenticação sai de graça. Mais que isso, é algo em torno de um ou dois dólares por cópia.

Chegamos também a ir na “Association latino-américaine et multiethnique de Côte-des-Neiges – ALAC”. Eles não têm site, mas o telefone é o 514-737-3642. Além de ajudar com currículos, eles têm cursos de francês. Para o pessoal com criança, praticamente todas essas entidades oferecem atividades, é preciso ligar e se informar. No site do ministério, existe uma lista completa dos partenaires. Dá para triar por idiomas disponíveis e endereços. A palavra de ordem é fuçar, fuçar e fuçar. E boa sorte!

terça-feira, outubro 20

Minha mais nova paixão canadense

 

Tudo bem que ele era escocês, mas boa parte da carreira dele foi construída aqui. Mas o fato é que um dos filmes de Norman McLaren (1914-1987) me emocionou de verdade.

Meu primeiro contato com ele foi quando visitamos a Cinémathèque Québécoise e projetaram o lindo de morrer Caprice en couleurs (Fantasia em cores). Pintado diretamente na película (não foi filmado, fotograficamente falando), podem crer, para esse filme de 1949, McLaren não usou computador (pergunta básica de todos pra quem o mostro). Segundo os críticos, esse é o melhor filme “sobre” o jazz, principalmente porque a textura imagem respeita a textura musical do som do trio Oscar Peterson.

Mas foi na aula de cinema de animação que fui, digamos, ligar o nome à pessoa. Além de Caprice en couleurs,o professor nos mostrou, entre outros, o super premiado (inclusive com a Palma de Ouro) Blinkity Blank. De 1955, McLaren, ao contrário de Caprice en Couleurs, não pintou a película (exceto em alguns elementos), e sim a gravou (a luz do projetor passa pelo traço gravado na película escura).

Agora, quem me tirou do salto foi o Pas de deux, de 1968. Lindo, lindo, lindo, lindo, o filme passou a ocupar um lugar na minha lista de coisas que amo. Apaixonado por dança, o que ele fez, trocando bem em miúdos, foi filmar uma coreografia (sob condições bem peculiares) e transformar a coisa em animação, recriando completamente o balé. Os efeitos obtidos por McLaren foram mil vezes copiados. O negócio é assistir pensando: esse cara foi quem inventou esse negócio! Lá pelo final, a fluidez da coisa sempre me faz chorar (tá, tá, eu sou fresca, eu sei)…

sábado, outubro 10

Na terra dos pés juntos

 

Domingo passado fui fazer um trabalho de fotografia (pra facul) no Cimitière Mont-Royal. O cemitério é de 1847 e por lá já ocorreram mais de 162 mil enterros. Fiquei torcendo para ter sorte de fotografar um fantasma (pô, essas coisas nunca acontecem comigo), mas não rolou.

E para dar um caráter mais informativo a esse post maravilhoso, fiz uma pesquisa básica sobre quanto custa morrer por aqui. Fiz a cotação para um serviço crematório porque, de minha parte, pretendo doar tudo o que seja possível aproveitar dos meus órgãos, e não quero ficar ocupando espaço. Segundo a Kane Fetterly, para ser cremado no caixão mais vagabundo, com a urna mais sem-vergonha, sem serviço nenhum, a cotação fica em (com impostos, claro) 2 808,59 $.

Para quem faz questão de cerimônia completa, decoração, café, etc, etc, a coisa pode chegar a algo em torno dos 10 mil dólares. As empresas de seguro, no entanto, oferecem modalidades de seguro-funeral. Vi algumas em que a mensalidade é de 2 dólares por mês.

 folha ange

oratoro ange2cruz

sábado, outubro 3

Só boa notícia

Sei que tô em débito com nosso amado público leitor. Faz tempo que não escrevo… Mas tem tanta coisa acontecendo que, caramba, tá difícil de administrar…

Bem, voltei a estudar. Não foi uma decisão fácil de tomar não. Eu poderia ter mudado de área e arrumado um trampo digno em escritório ou serviço ao público; mas para poder continuar fazendo o que eu amo (comunicação/arte), senti que ia precisar de um tempo maior de adaptação.

A história de meu período de exploração sobre o universo do jornalismo por aqui é meio longa e fica pra outro post. Vou pular direto pro processo de decisão sobre o quê estudar. Como já contei antes, as possibilidades de cursos e programas são muitas. Vamos às opções que eu considerei primeiro:

1) Fazer um doutorado: seria o mais óbvio, porque já tenho mestrado. Mas nesse momento da minha vida tô afim de algo mais prático;

2) Outro mestrado: mesmo problema que o doutorado;

3) Cursos DEC e AEC em Cégeps e Collèges: alguns cursos muito interessantes quase me convenceram. O Collège de Maisonneuve, por exemplo, tem um DEC intensivo em “Techniques d’intégration multimédia” que achei uma beleza. Um programa também bacana é o do John Abbot College, o “Web Technology Program”, esse financiado pelo Emploi-Québec.

Tava quase optando por um DEC quando me deparei com um apetitoso bacharelado em… CINEMA!!!! Sempre quis fazer cinema! Sonho de infância! Documentários são minha paixão… Não que eu não saiba fazer documentário, até aula disso já dei, mas sempre senti que me fazia falta uma leitura cinematográfica (e não jornalística) da coisa.

Me inscrevi na UdeM e passei. Tive de fazer o Test de Français International (eles não aceitaram o meu DELF como prova de conhecimento de francês) e fui bem (885 sobre 990 pontos no geral; 5 sobre 6 pontos em redação). Também consegui o Prêt & Bourse do governo, que é bem decente…

As aulas começaram em setembro e tô amando. A vida universitária, no entanto, é muito diferente do já vi. Mas isso também é assunto para outro post. Vamos ao que interessa…

O Zé conseguiu emprego, wohoo!!!!! Começa segunda-feira agora. Ele vai ser programador/administrador de base de dados de uma empresa aqui. Estamos muito felizes porque ele conseguiu algo na área e vai ter a oportunidade de crescer muito profissionalmente. Ele só tá meio choraminguento porque vai ter de trabalhar de terno (ou vestido de príncipe, como diz a pequena Haruê, nossa vizinha), e ele é chegado mesmo é numa camiseta de temática zumbi… Mas sempre há a sexta-feira do jeans :)

E eu, claro, vou poder fazer minha facul mais tranquila…