terça-feira, fevereiro 9

Onde acho melissinha com pochete?

Quando era adolescente no Rio de Janeiro, a onda era roubar cabelo das meninas. Eu, linda, jovem, com os cabelos virgens e longos, era um atrativo. O que fazíamos, eu e as colegas, era enrolar as madeixas em coque pra nao facilitar. Uma outra vez, tambem no Rio, meu pai chegou em casa com a metade do salário. Teve sorte : os bandidos toparam dividir com ele a grana do assalto.

Depois de nos cansarmos dessa vida ridícula de nao poder andar de bolsa, de ter de carregar no bolso um dinheirinho pro ladrão, fomos para Campo Grande, MS. Lá era bem mais calmo, mas muito longe da paz e sossego desejados. Estouraram meu carro pra pegar o rádio. Depois, estouraram o do Zé, e lá se foi outro aparelho de som. Para o nosso terceiro, um Pioneer bonitão, a saída foi produzir um disfarce. O Zé pegou a carcaça de um toca-fitas velho, cortou a frente, pôs uns velcros e, num passe de mágica, o rádio bonzão virava uma coisinha digna de pena. E ficamos nos sentindo os espertos, enganadores de ladrão...

Na partida pro Canada, evitamos divulgar até os derradeiros dias que estávamos indo pro exterior. O receio maior era a informação chegar em ouvidos de malfeitores que calculassem que “esses manés” teriam dólares para serem roubados.

Aqui em Montreal, ontem, fui vítima de furto. Foi tudo muito rápido e ninguém viu nada, nem o segurança imbecil na minha frente. Numa loja pequena, deixei minha mochila pesada no meu pé. Dei uns três passos pra pegar uma outra coisa, fiz uma pergunta pro vendedor e, quando me virei, a mochila nao estava mais lá. O lado bom foi que, antes de sair, tirei o notebook da bolsa, alem de ter esquecido de pegar o ipod. O lado ruim/péssimo é que estava voltando do último dia da gravação de um filme, e o cartão de memória com todo o áudio tava lá.

Sim, chamei a policia e tudo mais. Meus documentos foram encontrados horas depois e, de importante, só se foi o cartão de memória mesmo. Preparei um cartaz e pus na redondeza: recompensa de 30 dólares pra quem encontrá-lo. Enquanto copiava meus panfletos, uma senhora comentou que o filho dela teve a janela do carro quebrada no centro de Montreal e levaram tudo de dentro: eletrônicos, cds, etc. Segundo ela, foi culpa do rapaz: isso era para aprender a não deixar coisas de valor no carro.

O pior de tudo é perceber que a cultura da violência esta em formação por aqui, ou seja, a cultura em que o primeiro suspeito e culpado por qualquer ato de violência é a vitima. Por exemplo: juro que vou mandar tomar no c*@#$ o próximo que me recomendar tomar mais cuidado com as minhas coisas. Pergunto: sera que tenho de fazer como no Rio, somente sair de pochete, com meus pertences literalmente amarrados a mim? Me recuso a tomar no ombro a culpa que pertence aos dois malditos e infelizes cretinos que me roubaram.

Outro exemplo: a ex-esposa de um grande amigo nosso foi assaltada (não roubada como eu; assaltada mesmo) em uma estação de metrô no centro da cidade, aqui mesmo, em Montreal. Nao suficiente, apanhou dos imbecis da gangue, que machucaram rosto, corpo e alma, tudo de uma vez só. Contando o caso pros conhecidos, nao consigo quantificar quantas pessoas me perguntaram: “mas era de noite?”, “mas ela reagiu?”, “mas ela tava vestida com coisas de luxo?”. Nisso tudo está implícito um perverso julgamento: o de ela somente poderia ter sido vítima do seu descuido, da sua desatenção; a idéia de que a violência existe porque nós, manés, permitimos que ela nos atinja.

É a cultura da esperteza que chega ao norte: se voce não for esperto, automaticamente passa a ser um manezão. E daqui a pouco, só um mané vai ter janelas sem grade; só um mané pra deixar os filhos irem pra escola sozinhos; só uma mané vai andar desacompanhada pelas ruas da cidade, “dando mole”, como diz o povo. É a mesma logica que põe a culpa do estupro na mini-saia da menina.

E a pergunta de uma milhão de dólares fica: e daqui eu vou pra onde?

50 comentários:

Fowler disse...

A saída é não sair. Ridículo, eu sei, mas é o que tenho feito.
Hoje mesmo fui ao "Gato que Ri", almoçar com a parceria para discutir detalhes de nosso programa educativo.
Tipo assim: casa-carro-restaurante-casa.
E todos vidros fechados e portas travadas.

Paulo disse...

Parabéns pelo post. Muito importante e pertinente.

selma disse...

Filha,queria te abraçar.Bjo querida.Espero q consigam recuperar as coisas mais importantes!

Tatiana disse...

Olha, eu tb fui roubada em Montréal na estação Berri Uqam provavelmente. Mas foi dentro do metro, sem eu ver nada. Abriram a minha mochila, provavelmente na hora em que eu troquei de linha (da laranja pra verde) e só me dei conta quando cheguei na escola e vi que a minha carteira não estava lá. Fui na polícia mas nada dos meus documentos serem encontrados. Fiquei sem $$$, pois meu cartão de credito, do banco estavam lá; tive que esperar a minha mãe enviar tudo para mim - demora de um novo cartão + o tempo dele chegar em Montreal, resumindo fiquei 1 mês pedindo $ emprestado de amigos...
Mas eu ainda sou da opinião que quem comete esse tipo de crime, é imigrante. Não que o nativo seja inocente, mas as razões para um imigrante fazê-lo é mil vezes maior.
E muitos desses assaltos,roubos são feitos por pessoas drogadas etc. Mas enfim... Montreal como em toda cidade grande tem seu lado 'violento' mas não acredito que aí vá ficar como aqui no Rio, ou São Paulo etc.
Dentro do assunto mas fora dele, gostaria de citar aqui uma coisa que aconteceu durante a minha estagia em Montreal. Eu fiz um curso de francês numa escola de língua e havia muitos brasileiros por lá. Assim como mexicanos, éramos a maioria. Bom, um belo dia, fiquei sabendo, que um brasileiro, um jovem de 18-20 anos nao sei ao certo, ao voltar da balada, já meio bebum, resolveu fazer pipi na rua. Achando que as coisas eram como aqui... abaixou as calças e fez o pipi na rua. Na hora um guarda viu e ele respondeu processo lá, fiquei sabendo que ele teve que pagar uma multa alta e ainda por cima ficou "sujo" por lá; o que eu quero dizer é que pessoas assim, que estão acostumadas com esse tipo de "vida" sem lei etc acabam achando que podem fazer isso em qualquer lugar e que vão ficar impunes. E acabam levando com elas esse tipo de atitude para os lugares que elas vão. Enfim... é isso.
Espero que você consiga achar o memory card.
Boa semana!!!
Tatiana

Jeison e Susana disse...

Nossa, triste isso !!!

E triste saber que estaremos ai em MTL daqui pouco mais de 2 meses, estamos fugindo de SP por causa dessas coisas e saber que essa cultura está ficando forte ai...

Será que lá nos Inuits já está assim também ??? kkkk

Ótimo post, obrigado

. disse...

Essa é a faca de dois "legumes" do programa de imigração Canadense.

Depois que o Canadá escancarou as portas, está descobrindo como são os velhos problemas do terceiro mundo.

É o novo Canadá, para os Canadenses. Estão lascando com o país!

Clau e Zé disse...

É chato ter de falar isso mas os malandros que me roubaram eram hispanicos.
Os que espancaram a nossa conhecida tb eram imigrantes.
Ja me atraquei em ponto de taxi com taxista arabe.

É dureza mas é beeeeem verdade...

Bea disse...

F**A!!!

E no futuro vai ser o que? Igual ao Brasil?? :/

Também já fui assaltada e por uma dupla que colocaram uma faca imensa toda enferrujada na minha barriga. Eu tinha R$5,00 reais, morrendo de medo de morrer nem da furada, mas da infecção... Me deixaram ir pq viram q eu não tinha mais nada mesmo...
Depois 3 moleques tiraram meu cordão, fininho... mas de ouro. E eram moleques bem vestidos, não eram trombadinhas...

Enfim... torcer pra que a polícia daí faça alguma coisa!

Roberto disse...

Infelizmente a humanidade esta se deteriorando... não importa onde vc esteja...

Alexei disse...

É triste ler isso. E frustrante para quem já vem fugindo da violência. Mas respondendo a sua pergunta de para onde ir agora: Québec, Calgary e Gatineau/Ottawa. Não vai ser totalmente seguro, porque isso não existe, mas com certeza menos perigoso que nos grandes centros.
Um abraço.

. disse...

Com relação ao taxista Árabe, você estava tentando embarcar com seu cachorro no táxis dele?

Clau e Zé disse...

Sinto mto mesmo, por todos q ja se viram em dificuldades por causa de roubos, assaltos e afins...

Marcio, o Leopoldo nao teve nada a ver com o incidente do taxi. Inclusive, qdo vou embarca-lo, aviso na hora da chamada que é para transporte de animal.
O sujeito em questao foi um grosso que ia embarcar minhas compras na frente do Wal-Mart. Ele estacional mal, bloqueando o meu carrinho. eu pedi pra ele ir um pouquinho pra frente e o cara saiu do carro gritando. Eu mandei ele ir pegar outro passageiro que eu nao ia andar com ele nem morta. dai ele começou a jogar minhas compras no porta-malas. Eu comecei a gritar, a pegar as minhas compras e, basicamente, mandei ele voltar pro buraco de onde saiu e lembrei-lhe que, diferentemente do que ele esta acostumado, mulheres aqui tem direitos e nao podem ser tratadas feito lixo.
Foi uma baixaria, eu sai chorando e as velhas quebecas de olhos arregalados...

Cinemusique disse...

Clau,

pra sair um pouco do clima desolé, o destaque que quero dar aqui é pro seu texto, adorei.
Vc escreve muito bem, taí a saída!
Mané (o bandido, claro) sempre existiu e sempre vai existir, imigrante ou não.
Sou fã do respeito, da elegância, do otimismo e do bom gosto.
Vou torcer pra vc encontrar o chip!
Beijos!
Gabi

Eu... disse...

Adorei o post!!
Acho importante quando relatam as experiencias negativas por aqui tbm...
Ja tive meus momentos ruins com "imigrantes" tbm. O Canada realmente abriu d+ as fronteiras e entrou naquela de "fazer o bem, sem olhar a quem" digamos assim. Tbm sei que fazem isso porque precisam de muita gente tbm.
Tem um grande numero de refugiados por aqui, que nao vem com dinheiro ou conhecimento. Ja nao tinham isso, normalmente, em seu paises de origem. Percebo que isso muitas vezes causa impactos sociais por aqui, alem dos culturais...

Pati disse...

Oi Clau,

Sinto muito pelo que passou com o roubo e com o taxista. Mas tenha em mente que um post bem escrito e verdadeiro como o seu é importante para nos ajudar a criar uma postura mais realista sobre o Canadá. É uma pena que as coisas aí estejam assim, mas acho que a imigração ainda vale a pena por várias outras razões, como o cumprimento das leis, a qualidade da educação, a liberdade e a eficiência do Estado.

Espero que consiga encontrar o seu cartão...

Um abraço!

Gabriel Cavalheiro disse...

oi, Clau.
Muito bem escrito o teu blog... parabéns!
é uma pena que esse tipo de coisa esteja se tornando comum por aí... é importante notificar isso para que o "sonho" canadense seja construído de forma mais ponderada e realista.
abração e boa sorte por aí!

Claudinha disse...

pois é...eu aqui ainda não passei por isso...mas sei bem o que é o terror de viver sob fogo cruzado no Rio de Janeiro...
Imagino que a sensação não é a mesma mas a revolta continua a ser muito grande é muito grande...
Mas acho que o problema reside mesmo em viver em grandes centros...consigo andar sozinha, meus filhos irem sozinhos para escola e ter as portas destrancadas porque vivo mesmo na provincia...apesar de perto Lisboa...
Concordo com vc quando fala dos imigrantes...os casos de violencia em assaltos e roubos normalmente envolve um imigrante brasileiro(que já passa de 500 mil só em PT) ou proveniente no leste europeu( ucranianos, polacos, russos, eslavos...)
Sinto muito pela perda das tuas coisas ...mas por nenhum momento te sinta culpada disso ... nem perca a fé no ser humano...bj

Marcos disse...

realmente é bom para refletir!

Mas duvido que deixarão virar rotina isso!
Pq assim q tomar uma pequena repercussão as autoridades vão cair matando.
Soube que mexicanos vão como turista (e recentemnte o Can. passou a exigir visto de turista deles, antes não precisava), e pediam refúgio alegando fugir da violência e conseguiam ficar.
Em breve irá haver um meio termo nessa questão canadense, senão vai virar bagunça.
Soube que fizeram uns estudos (devido a grande demanda de Brasileiros), e viram que o perfil dos brazucas era de que mais de 90%, trabalhavam em sua àrea de formação estavam intgrados à cultura etc etc. Isso fez com q trouxessem o escritório para SP.

Vale lembrar que não estamos, nem nós nem ninguém imunes à nada e em qq lugar. (lembram do cearense q tomou um tiro em Calgary e ficou cego).
Ninguém tem estrela na testa nem aqui nem no Canadá.

O debate está aberto (vamos abrir um tópico na comunidade).

Lely disse...

Que horror, Cláudia!
Eu sei bem como se sente, pois apesar de nunca ter sido assaltada enquanto morava no Rio, quando vim para Manaus (cidade teoricamente mais tranqüila) já sofri 2 assaltos e um quase seqüestro-relâmpago a mão-armada...

É o tipo de coisa que marca e revolta a gente pra sempre.

Montreal, como o Rio ou Manaus (Manaus tem tantos habitnates qnt Montreal) é uma grande cidade e como todas as grandes cidades não está livre de violência.

Embora seja recomendável sempre ter cuidado é verdade que não podemos viver com medo e claro não podemos ser sempre culpados por nossos infortúnios!
É realmente um absurdo vc ser culpada pelo assalto porque saiu com dinheiro, ou por que desgrudou o olho da mochila por um pentelhésimo de segundo... É ridiculo. Segurança é uma coisa que o estado deveria prover ao cidadão.
Infelizmente não é sempre assim que a banda toca.

Não tem como fugir. Aqui, no Canadá, na Suécia, no Japão... Ninguém está livre da maldade alheia. Infelizmente.

Anônimo disse...

Se eu fosse canadense e visse meu país piorando por causa de imigrantes, certamente teria "dedos" para lidar com eles.
É generalista, é preconceituoso... mas se os imigrantes não querem se adaptar à forma de viver e às regras do lugar, como vão saber que o imigrante não será o próximo a desreipeitar, roubar ou assaltar?
Podemos estar vendo bem o início da paranóia, preconceito, racismo, etc...e assim vai piorando cada vez mais...
Mas se está no começo, cada um que chega tem a obrigação de provar que pode, sim, dar certo por lá do jeito e nas regras deles. E não podemos deixar meia dúzia de gente "mal selecionada" estragar o país que escolhemos para viver!
Marcinha.

. disse...

É por aí mesmo Marcinha!

Ontem à noite, estava num dos centros esportivos de Toronto, esperando meus filhos da natação. Nesses ambientes não se pode fumar.

Aí entra um cara com um cigarro acesso na mão. Foi instantâneo, no meio de todo mundo, falei alto e em bom tom para ele apagar o cigarro. Ficou todo nervosinho mas teve que apagar o cigarro. Tô nem aí para o estado de stress do cara, danem-se todos que estiverem quebrando as regras. Abro a boca na mesma hora e denuncio mesmo, pois não quero ver o país que escolhi para criar meus filhos ser detonado por gafanhotos.

abs

merciquebec disse...

Nossa pessoal, sinto pelo o que aconteceu. Muito importante vcs terem relatado isso. Às vezes, a gente quer sair daqui pensando que irá encontrar um lugar tranquilo q que não precisará tomar tanto cuidado como aqui e voilà os "espertos"estão em todo lugar...pena. abs.

Clau e Zé disse...

Uma pessoa mandou esse link pela lista de discussao do yahoo e é interessante.
Da pra ver a incidencia dos crimes por regiao da cidade:
http://www.montrealgazette.com/news/story.html?id=2151254

Priscilla, Mauricio e João Pedro!! disse...

Ola,
Fiquei abalada quando soube que levaram o carro novinho de uma amiga no Carrefour Laval, aqui perto de casa (mOntréal - Centre Ville) vidro de carro quebrado tem aos montes, sera que aqui vai virar o Brasil neste quesito? É realmente um assunto a ser cuidado! Mas por enquanto os bandidos daqui estao começando a universidade do crime enquanto que os outros ja sao PhD.
Sera que existe um lugar que ainda nao tenha sido contaminado?
Pri.

P disse...

com essa coisa de globalizar, as variadas culturas estão em todos os países. daí as pessoas que estavam acostumadas com isso no seu país acabam achando igualmente "natural" no novo país, mesmo tendo mudado pra lá por conta disso!!!
:(
muito triste. muito triste por ti, pelos teus conhecidos... vamos esperar que leve muitas décadas se for degringolar... mas o melhor é torcer pela reversão disso. tenho certeza de que o canadá não será um novo brasil.

paz no seu coração.

Carol e Luciano disse...

OI Claudia, estou retribuindo a visita lá no nosso blog :) Falta tão pouco agora,estou mesmo preocupada com Neve, várias pessoas me falaram para não seda-la, dar apenas um dramin. Vou novamente conversar com o vet dela.
BJs

Rosane disse...

O ser humano é podre, não importa onde. A diferença é como a sociedade reaje a essa podridão. Ontem, minha escola de francês quase foi invadida por delinqüentes e assaltada. Ligamos para o 190 e ninguém atendia! Dá pra acreditar? Pelo menos isso eu acho que ainda não acontece no Canadá...

Giovani disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clau e Zé disse...

Uma coisa boa é q o no 911 te atendem de pronto.
Mas assim, eu liguei uma vez e me mandaram ir la na cx do c**** dar queixa. Liguei de novo e mesma coisa. Qdo o cara da loja ligou, a policia veio.
Bando de infeliz...

...
Rosana, sabe q lembrei? Tb fui furtada uma vez na Aliança Francesa onde morava :(

!Lá Vamos Nós! disse...

O post é muuuuito útil pois por aqui acabamos baixando a guarda.

Algo q aprendi, da pior forma, foi proteger meus dados, deixei cair meu hd e foi uma fortuna $$ recuperar os dados, espero q vc tenha sorte com o sua carta de memória.

babi disse...

Nessas horas, eu teria uma vontade horrorosa de gritar:

ME DA MEU CHIPEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

Obrigada pelo post. Deu pra ver que os dias de andar-feito-gringo-no-BR por Montréal acabaram :T

:**

Ana disse...

Gente,
Eu moro em Curitiba, que é mais ou menos do mesmo tamanho de Montréal. Sem brincadeira: no último fim de semana morreram 42 pessoas de forma violenta aqui em Curitiba, a maioria vítimas de arma de fogo. Esse é mais ou menos o mesmo número que morre em Montréal pelo mesmo motivo, só que em UM ANO INTEIRO! Não tem como comparar a violência e o descaso do Brasil com o do Canadá. É claro que roubo é triste em qualquer lugar, e dá para perceber também que existe em qualquer lugar... A gente não pode é se conformar e aceitar. Clau, vai atrás do seus direitos aí, tenta exigir da polícia uma resolução. E nos conte depois se deu certo. Aí sim poderemos saber se o Canadá caminha ou não para o mesmo rumo do Brasil.

Clau e Zé disse...

Bem, queridos, o ladrao foi identificado mas nada das minhas coisas. Mas o inquerito ta aberto.
Se eu conseguir que o cabra seja ao menos deportado acho que ja terei dado uma contribuicao para a sociedade.
...
Nunca gostei mto desse lado estatistico da sociologia. Aprendi com meu pai: qdo te falam pra ver qtas pessoas estao em situacao pior, la no final da fila, olhe sempre pra frente e veja qta gente ta olhando pra vc aqui no fundo.
Nao eh pq tem lugar em situacao pior que vou me conformar com as mazelas de onde vivo, por pequenas que sejam.

K disse...

Acho que a grande questão é saber se pra lutar contra isso estamos sozinhos ou acompanhados. Decidi sair do Brasil porque lá eu sentia que lutava sozinha contra tudo e minha sensação é que aqui seria diferente. Já vi canadense protestando porque fizeram xixi numa estátua.

E, na verdade, existe uma grande diferença entre a violência que existe no Brasil e o furto que aconteceu com você. O furto é sem violência, a consequência é perda material. Ok, condenável, absurdo, etc, etc, mas bem diferente de perder a vida por causa de um relógio. Já sua conhecida foi roubada - quando há violência - e isso, sim, é assustador que esteja acontecendo por essas bandas. Infelizmente, deliquência existe onde houver gente, ou seja, em tudo o que é canto. Como disse lá em cima, o grande diferencial é como a sociedade reage a ela.

Sds,

K.

Cabeleireiro Brasileiro em Montreal (Coiffeur) disse...

Amiga a culpa nao foi sua e a culpa nunca será da vítima. A questão é que não existe um mundo perfeito, no qual todos sejam felizes, ricos, honrados, respeitosos, educados, etc e tal. Então, se vacilarmos o bixo pega. Percebi que vc relatou um fato triste que aconteceu com sua amiga, e isso tudo só mostra o quanto a sociedade canadense está adquirindo e importando os péssimos costumes dos EUA, infelizmente somos os consumidores numero 1 de tudo que vem de lá, inclusive a violência. Vc sabe que quando recebi sua msg sobre o furto (vc digitou roubo, medoooo...), eu meio que entrei em pânico, com as lembranças das descraças vivenciadas no Brasil, mas no fim foi um furto que gera apenas uma revolta e um abalo financeiro. Fico feliz que tenha sido só um furto e que tudo se passou aqui em Montreal, pois lhe garanto de coração se tivesse sido no Rio, São Paulo ou na minha cidade que não fica atras destas (RECIFE), a história teria sido outra (nem queira saber nem imaginar). Seu Migo que te ama, Will.

Roderick van Rodregfus disse...

Caralho, que merda... Você tá bem?
Achando que aí a vida era uma maravilha, que era outro mundo!
Mera ilusão!
Eu não sei como - e eu sou extremamente grato por isso - eu nunca fui assaltado na vida! O máximo que eu tive - MÁXIMO - foi me furtarem um toca-fitas, tipo aquele antigão do Zé, de uma marajó velha que eu tinha.
Eu concordo com você. A culpa não é do cidadão. Pô, agora por conta de uns marginais que acham que podem mais que os outros a gente tem que parar de usar o tênis que gosta, a camisa mais legal, um adereço que consideramos bonito?

Daíza disse...

Sinto muito mas também passei por aqui para roubar suas palavras. Publiquei um post daqui no blog "sem ralo" ( http://semralo.blogspot.com/ ). Se você não concorda, é só deixar um recadinho que cancelo.
Espero que v. consiga recuperar o que perdeu. Um abraço.

Laércio Lima disse...

O assunto é complexo e por isso, polêmico. Atribuir aos imigrantes a onda de violência
é insensato. Dizer que o roubo é um problema de terceiro mundo é outra grande bobagem. O Brasil
é uma das maiores economias do mundo aos desavisados.Terceiro mundo é uma expressão da década de 80/90.Acordem, os tempos
são outros.A violência também foi globalizada, infelizmente. Boa sorte e tudo dará certo.

Anônimo disse...

Pedrooooooooo !!!! Devolve meu chiiiiip !!!!

Marcela Baiocchi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arroz disse...

Concordo com tudo o que foi escrito, e mesmo me mandando tomar lá (hehehe), posso dizer que nem na Suíça deve-se deixar qqer coisa de lado, aqui vc recuperou seus documentos, no Rio perderia a vida, então bola pra frente e saiba que a polícia e a justiça daqui vão fazer seus trabalhos direitinho, e sem te cobrar a famosa cervejinha.
Só discordo da palavra imigrante pois eu sou um e vc também. Conheço refugiados que trabalham duro e nem pensam em furtar alguém, seria como culpar todo nordestino e favelado pela violência do Rio e SP...

Marcela Baiocchi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clau e Zé disse...

Queridos todos,

Mto embora eu nao goste de entrar em picuinha nem ficar respondendo provocaçao, so gostaria de acrescentar em minha defesa que nunca disse q a culpa da violencia aqui ou em qualquer universo seja de imigrantes. Sim, é fato de que meus ladroes o eram, sim, q todos os casos q envolvem pessoas de meu conhecimento envolvem pessoas nessa situaçao, mas nao tenho aqui a intençao de fazer um tratado nazista de repudio aos imigrantes.
Mas acho sim que malandro deve ser punido; e se for malandro importado que seja devolvido ao local de origem apos as devidas puniçoes.

Marcela, curiosidade, vc usa saia ate os joelhos pra valer ou foi figura de expressao?

Marcela Baiocchi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriela disse...

Acabo d eler seu blog. Também sou jornalista e estou muito a fim de me mandar pro Canadá. Meu marido também sofre do mesmo mal: é jornalista. Gostaria de saber como é o mercado para gente que se arriscar por aí. Temos um problema: nossa idade. Tenho 35 anos e ele, 50 anos ( com cara de 40, mas a identidade.... ) . Temos 2 filhos: uma de 7 e um de 2 anos. O que vc acha? É difícil arrumar emprego na nossa área? E o francês tem de estar na ponta da língua, ou dá para fazer umas aulas aí com a bolsa do governo e depois seguir em frente? São muitas dúvidas..
Abraços,
Gabriela

Sra. Incrível disse...

Ao menos abriram um inquérito, localizaram os bandidos...
Se fosse aqui no Rio, o policial diria que você "deu mole", ia rir de você e ainda levar o que o bandido não conseguiu...

Thiago disse...

Nossa!! Espero que encontre seu memory stick...
Estive em Montreal em julho/2009 thanks God não aconteceu nada desse tipo comigo, a única coisa que me assustou foi alguns "mengigos" pedindo dinheiro e ao dizer que não tinha de uma forma educada mandando ao final um i´m sorry ainda me retrucavam dizendo que não precisavam de desculpass e sim de dinheiro, mas parava por aí mesmo. Na escola que estudei através de um depoimento de um aluno da sala fiquei sabendo que o mesmo havia parado seu carro nas proximidades da escola na St.Catherine O c/ Peel e teve o vidro do carro quebrado e suas coisas furtadass...
Triste!!
Espero que MTL não continue sofrendo desses problemas...
Boa sorte pra vcs!!
Abs

Gui disse...

bom, quando a coisa ai pegar de vez, vá morar com os ursos. acho que eles não irão te roubar, a menos que te confundam com uma foca...

piadas escrotas a parte, é realmente triste ver que isso está chegando ai. sinceramente, vi o mesmo acontecer em Barcelona (morei lá anos, voltei em janeiro, e está MUITO pior) e tenho cá comigo que os espertos são imigrantes. tomara que me engane... mas em BCN era assim.

De qualquer jeito, acho que ainda vai demorar para que ai, como aqui em Salvador (BA), ocorram 8 assaltos a ônibus por dia e 5 homicídios, em media, por noite (20 nos finais de semana).

Simples assim... disse...

Repito sua pergunta: vamos para onde? APLAUSOS para o seu post minha amiga, a culpa é do descuido de quem foi vitima????? Eu acho isso RIDICULOOOOOO, a culpa é dos malditos q executaram a "malandragem".... fala serio q a coisa ta ficando feia por aí..... Tá na hr de pararem de aceitar "culturas diferentes" por aí..... ou vc acha q foram canadenses q estão fazendo isso???? Bjo, Dri

Valter T. Dubiela disse...

Venho de Maringá, no Paraná e estou em Montréal desde 2002. A única vez que fui assaltado foi em Sao Bernardo do Campo, perto da FEI, mas o pivete so queria o jornal que eu lia na praça, numa manha de domingo. Isto foi em 1987, acho. Depois disto, nunca mais fui à praça nenhuma em Sao Bernardo, mesmo porque acabei voltando pro Paraná.
Mas nos anos que se seguiram o clima de insegurança foi aumentando. O primeiro sinal evidente é o desrespeito à vida do pedestre. Quem anda à pé que se cuide.
Os roubos pelo menos sao psicologicamente menos danosos e o ladrao parece ter um pouco de vergonha do que faz, pois se esconde. Depois dos contos do vigario, cada vez mais sofisticados vêm os assaltos na cara dura, de noite, de dia, às vezes apenas um susto, às vezes brutais, absurdos, geralmente cometidos por alguém em crise de abstinência de drogas ou motivado pela desigualdade (Cidade de Deus).
Se sao imigrantes os que constituem a maior parte dos ladroes, certamente sao os mais pobres, discriminados e marginalizados. Nao defendo o criminoso, mas dizer que a causa é meramente cultural me parece superficial demais, tanto no Brasil como aqui.
Em Montreal posso caminhar à noite pelas ruas sem medo. Posso ler na praça ou mesmo trabalhar com um notebook. É verdade, ja me levaram um oculos de nataçao no vestiario da piscina e uma toalha, mas eu bobeei. Também ja vi muita gente com a mochila escancarada, mostrando carteira, ipod, etc. lendo tranquilamente no metro.
Nao da pra comparar o numero de pessoas que morrem diariamente no transito, em assaltos, em disputas do trafico no Brasil com os casos do mesmo tipo que acontecem por ano no Canada. E olha que a maior parte da populaçao canadense é de imigrantes ou de descendentes de imigrantes.