quarta-feira, março 31

Death and taxes

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Meu pai é contabilista, então nunca precisei me preocupar de verdade com os meus impostos: era só largar os papéis com ele e esquecer.

A mamata acabou e, dessa vez, precisamos nos virar com a nossa declaração. E como esse troço é chato!

O deadline é 30 de abril (pra maioria dos mortais) mas, assim como no Brasil, quanto mais cedo fizer a sua, mais rápido vem a restituição. São duas as declarações: a federal (Canada Revenue Agency) e a do Québec (Revenu Québec). Este último tem uma publicação especial para os recém-chegados à província.

A primeira declaração somente pode ser feita de forma impressa; nos próximos anos poderemos transmití-las pela web. Os formulários de ambas as declarações podem ser encontrados nas agências da Caisse Desjardins.

O que muita gente faz é comprar um software que facilita o serviço. O Quick Tax, por exemplo, faz para oito pessoas e custa 40 dólares na Future Shop. Eu cheguei a dar uma olhada nele mas, francamente, me pareceu ser bem enrolado.

Para nós a solução foi ir a uma “Clinique d’Impôt”. Eventos organizados por voluntários contabilistas ou estudantes de contabilidade, eles fazem a declaração para pessoas com baixa renda (super o caso da maioria dos imigrantes recém-chegados). São alguns critérios para ser considerado oficialmente pobre:

- ganhar no máximo 20 mil dólares/ano (pessoas sozinhas);
- ganhar no máximo 26 mil/ano (casais), com o adicional de 2 mil por criança.

Cliniques d’impôt são super populares nessa época do ano e começam a marcar os horários de atendimento no início de março. Para descobrir uma perto de você, basta dar uma busca no google contendo também o nome do seu arrondissement: costumam ser orgãos de atendimento ao imigrante, centros comunitários e CLSCs. As universidades também oferecem esse serviço, em datas fechadas e com atendimento por ordem de chegada.

Quanto mais organizada a papelada estiver, mais rápido é. O que você precisa levar:

# os relevés de revenu (não necessariamente você receberá todos, é obvio) e quem os emite:
- relevé 1 – pelo empregador;
- relevé 2 – pela instituição financeira;
- relevé 4 – pelo proprietário do imóvel (aluguel);
- relevé 8 – pelo estabelecimento de ensino pós-secundário;
- relevé 24 – pela garderie.

# o número do NAS;
# todas as despesas com médicos e medicamentos;
# tickets de transporte (só valem os bilhetes mensais e semanais);
# comprovantes de gastos com cursos (por exemplo, cursos de extensão que não aparecem em relevé algum);
# recibos de livros (se você for estudante).

Obviamente todas essas informações devem ser sempre conferidas através de consultas aos órgãos competentes (e às correções/comentários postados aqui pelos amados leitores). Afinal, de certo nessa vida, só mesmo a morte e os impostos…

segunda-feira, março 15

Poutine !



Batata-frita, queijo e molho barbecue (não tem carne mas só o cheiro de fumaça) num baldinho. Assim é a poutine, prato tipicamente québécois, altamente calórico (alguém duvida?) e vendido em quase toda restaurante (até lanchonete universitária).







Essa poutine que vocês estão vendo foi devorada em uma loja da rede Frite Alors!. Com refrigerante, a orgia de carboidratos sai a 9 dólares.





Segundo meu mais novo livrinho “Le parler québécois pour les nuls”, a poutine data dos anos 50 e nasceu na região central do Québec, por conta dos produtores que utilizavam o prato para demonstrar a qualidade do queijinho cheddar em grãos (o qual não tem absolutamente nada a ver com o cheddar que a gente come no McDonalds no Brasil).

E por ser servida habitualmente como entrada, é muito comum a gente ouvir em começo de aula ou de reunião alguém falar "poutine!", ou seja, observações que nada têm a ver com o tema principal a ser discutido.


Pizza cômica

Para continuar na linha junk food, demos muita risada da embalagem dessa pizza.

Junto com o sabor da pizza, em letras garrafais, lê-se que o produto precisa ir ao forno, ou seja, precisa ser cozido. Aí a gente pensa: bicho, deve ter tido muito mané ligando pra reclamar da pizza ainda congelada…

Cada uma que a gente vê nesse mundo…




obs.: Alterei a foto no dia 6 de abril para facilitar a leitura. My bad: tava super ruim a imagem.

quarta-feira, março 10

Le fun à Montréal, ou como encontrar a falência certa

Quem curte rock n’roll e pretende juntar bastante dinheiro na experiência canadense, talvez faça bem em se manter longe dos grandes centros. A quantidade de shows imperdíveis é um tanto quanto exagerada...

Em 2009 não curtimos muito os eventos. Enquanto só víamos nossas economias irem embora, nem ficávamos à caça do que fazer... O único show ao qual fomos foi o do Stevie Wonder, no Jazz Festival, gratuito, lotado, difícil de ver qualquer coisa....

Mas esse ano, Zé assalariado e eu com minha bolsa-escola, oh my, ta difícil é de fazer economia. Já rolou Eric Clapton com Jeff Beck, fantástico, loucura; e a Orquestra Buena Vista Social Club, lindo lindo de morrer, incluindo três dos velhinhos do filme do Win Wenders. O primeiro foi no Centre Bell e o segundo no Place des Arts (Salle Wilfrid-Pelletier): nos dois compramos os bilhetes mais baratos (e mais distantes do palco), mas não foi nada comprometedor não, da pra ser feliz igual e ter uma boa visão do evento.

Esse ano vou ainda ver a turnê 360° do U2. E mais shows estão pintando, muitos com a bilheteria ainda não aberta:

Emerson & Lake: 13 de abril
Simon & Garfunkel: 15 de maio
Laurie Anderson, Lou Reed & John Zorn (no Jazz Festival): 2 de julho
Iron Maiden: 07 de julho
Megadeth e Alice Cooper, entre outros, no festival Heavy MTL, 24 e 25 de julho